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Reumatismo e Dor

Reumatismo é um termo muito utilizado para definir doenças que comprometem as articulações, mas a maioria destas doenças afetam também outras estruturas músculo esqueléticas (músculos, ossos, tendões, ligamentos, etc…) e outros órgãos que variam conforme a doença.
As causas, complicações e tratamento destes “reumatismos” podem ser muito diferentes, razão pelo qual se torna importante saber qual a doença de cada paciente para a indicação do tratamento mais adequado.
Neste Post vamos citar as principais doenças reumatológicas que causam dor. A principal e mais comum delas, a ARTROSE, foi descrita em dois Posts anteriores: “Artrose é doença de idosos?” e “Tratamento da Artrose”.

Articulações doloridas é uma das manifestações do reumatismo

ARTRITE REUMATÓIDE

Acontece em 1% da população adulta e aumenta para 4,5% nos indivíduos acima de 55 anos de idade.
Os sinais e sintomas são caracterizados com inflamação (inchaço, calor e vermelhidão nas articulações comprometidas) no início do quadro e as erosões ósseas ocorrem nos dois primeiros anos da doença.
A maioria dos pacientes com artrite reumatóide sofre uma limitação para realizar suas atividades rotineiras e 50% apresentarão dificuldades no desempenho profissional após 10 anos de doença. A sobrevida destes pacientes é 20% menor quando comparada à população normal.
Existe uma predisposição para esta doença, ou seja, tem um fator hereditário. É mais comum em mulheres entre 35 e 45 anos.
É necessário que o médico identifique esta doença o mais precocemente possível para iniciar o tratamento adequado e prevenir as complicações desta doença crônica.
A artrite reumatóide é uma doença sistêmica, ou seja, acomete diversos órgãos do corpo.
Acomete principalmente as articulações do corpo. No ínicio dos sintomas ocorre dor e inchaço principalmente nas articulações das mãos e dos pés. Geralmente é poliarticular (compromete várias articulações) e com o avanço da doença podem ser observadas deformidades típicas como o dedo em pescoço de cisne.

dedo em pescoço de cisne

Os nódulos subcutâneos podem aparecer espontaneamente em 20% destes pacientes e se localizam, na maioria das vezes, em cotovelos, joelhos e dorso das mãos, podem medir mais de 2 cm de diâmetro e desaparecem ou persistem indefinidamente.

Nódulos reumatóides<
A vasculite reumatóide (inflamação dos vasos) é uma manifestação mais rara e pode levar a uma neuropatia periférica, úlceras e até gangrena.
O pulmão pode ser comprometido com fibrose, nódulos e até derrame pleural. A pericardite (inflamação do pericárdio) é muito comum , mas na maioria das vezes não manifesta sintomas. O rim é acometido levando a uma insuficiência renal principalmente pelas medicações.
As neuropatias compressivas são bastante comuns devido ao inchaço e deformidades das articulações e ao seu redor.
Nos olhos a manifestação mais comum é a ceratoconjuntivite seca (sintoma da Síndrome de Sjögren) em 15% dos pacientes.
Como é feito o Diagnóstico da Artrite Reumatóide?
O Diagnóstico da Artrite Reumatóide é feito através do exame clínico que mostra pelo menos 4 destas manifestações:
-rigidez matinal (dificuldade para se movimentar pela manhã)
-3 ou mais articulações inflamadas
-Inflamação das articulações das mãos
-Inflamações nas articulações similares (iguais) nos dois lados do corpo
-Nódulos reumatóides
-alteração no exame laboratorial fator reumatóide
-alteração no raio X das mãos.

Artrite Reumatóide Severa 1-osteopenia justarticular 2-erosões periarticulares 3-subluxação metacarpofalangena

Deformidades em paciente jovem que podem levar à dificuldades para tarefas feitas pelas mãos

Como é a evolução da Artrite Reumatóide?
A evolução da Artrite Reumatóide é imprevisível e pode variar, pois ocorrem pioras e melhoras espontâneas dos sintomas. Aproximadamente 20% dos pacientes apresentam remissão completa ou uma forma de doença que não precise de medicação. Por outro lado, 10% terão uma doença agressiva, com deformidades e incapacidades (dificuldade para realizar tarefas) em pouco tempo. Na maioria das vezes, os pacientes com Artrite Reumatóide evoluem de forma intermediária, com perda gradual de função durante anos de evolução.

Quer saber sobre o tratamento dos Reumatismos? Veja no final do Post!

LUPUS ERITEMATOSO SISTÊMICO

É uma doença que causa inflamação devido a alterações imunológicas.
O Lupus Eritematoso Sistêmico (LES) acontece em 1 a cada 1000 pessoas brancas e 1 a cada 250 pessoas na raça negra e é provavelmente genética. As mulheres são mais acometidas em uma proporção de cada 10 mulheres, 1 homem tem LES. É mais frequente iniciar entre os 20 e 30 anos.
O LES frequentemente traz comprometimento da pele e das articulações e é agressivo com o rim e o sistema nervoso.
Quais os sintomas mais frequentes?
Um dos primeiros sinais é a perda de apetite e de peso no início do quadro, a febre pode ocorrer em até 48% dos casos e inchaço dos gânglios linfáticos em até 78 %.
A manifestação cutânea, ou seja, na pele, ocorre no início da doença e geralmente são caracterizados em duas formas: localizada (lesão em asa de borboleta ou rash malar) e generalizada (rash maculopapular).

Lesão de "asa de borboleta" do LES

Outras manifestações cutâneas que podem ocorrer no LES são queda de cabelos, úlceras orais (tipo de “sapinho”) e vasculite cutânea.
A pleurite (inflamação da pleura pulmonar) é outra manifestação comum do LES, acontece em até 60% dos casos e pode complicar com derrame pleural.
As alterações cardíacas são frequentes e a pericardite (inflamação do pericárdio) pode acontecer am até 30% dos pacientes.
As complicações nos rins, as nefrites (inflamação dos rins) são as que mais preocupam os médicos, acontece em 50% dos pacientes e podem evoluir com insuficiência renal grave e precisarem fazer hemodiálise.
O envolvimento so sistema nervoso pode ser dividido em difuso e focal. Os difusos incluem convulsões, dor de cabeça, Síndrome Orgânica Cerebral (delírio, instabilidade emocional e diminuição da memória e concentração) e distúrbios de comportamento. As focais são derrames cerebrais por falta de irrigação sanguínea (derrames isquêmicos), a mielite transversa (inflamação na medula com consequente paraplegia), neuropatias periféricas (ver post “O que é neuropatia periférica?”) e paralisia de pares cranianos.
Existem manifestações do LES no sangue como a leucopenia e linfopenia (diminuição dos glóbulos brancos e linfócitos, ambos células de defesa do sangue).
Náuseas e vômitos podem acontecer como efeito colateral das medicações.
O ciclo menstrual é alterado, porém não apresentam infertilidade.
 O lupus eritematoso sistêmico agride vários órgãos do nosso corpo.

Como é feito o diagnóstico do LES?
O paciente com LES apresenta pelo menos 4 destes critérios diagnósticos:
-Erupção malar (lesão asa de borboleta)
-Erupção discóide (lesão escamosa)
-Fotossensibilidade (paciente fica muito vermelho quando exposto ao sol)
-Úlceras orais (“sapinho”)
-Presença de artrite (pelo menos uma articulação com sinais de inflamação)
-Serosite (inflamação de pelo menos uma membrana:pleura ou pericárdio)
-Disturbio renal (evidenciado por exames laboratoriais renais)
-presença de sintomas neurológicos
-alterações laboratoriais no sangue (hemograma)
-FAN aumentado.
O que é fenômeno de Raynaud?
O fenômeno de Raynaud pode ocorrer em até 45% dos pacientes com LES e são alterações nos vasos sanguíneos com variações da cor da pele das extremidades, ora com palidez, ora com cianose (extremidades roxas), seguidas ou não de hiperemia reacional (vermelhidão). Piora com o frio ou com o estresse.

Fases do Fenômeno de Raynaud:1-Palidez (branco), 2-Cianose (roxo) 3-Eritematoso (vermelho)

Quer saber sobre o tratamento dos Reumatismos? Veja no final do Post!

ESCLERODERMIA OU ESCLEROSE SISTÊMICA

É uma doença do tecido conjuntivo, sem causa definida, que afeta vários órgãos e é caracterizada pelo espessamento da pele. Acomete articulações, sistema digestivo, pulmão, coração, rins, etc…
É rara e acontece em 12 indivíduos a cada milhão da população por ano. É mais comum dos 30 aos 50 anos e em mulheres.
É hereditária, ou seja, é encontrada em outros membros da família.
Quais os principais sintomas da Esclerodermia?
O fenômeno de Raynaud pode acontecer em até 15% dos casos.
A pele sofre um inchaço inicial, seguida por um “engrossamento” da pele e posteriormente atrofiando. Isto acontece principalmente nas màos e nos pés, rosto e pescoço podendo generalizar posteriormente.
As dores nas articulações e a rigidez matinal são comuns principalmente na fase inicial da doença. A fraqueza muscular é comum devido à miopatia ocasionada pela doença (inflamação muscular.
O sistema digestivo é frequentemente atingido, sendo o esôfago o mais comprometido com diminuição de seu funcionamento. A obstrução intestinal e a desnutrição consequente à má absorção são complicações frequentes.
O comprometimento pulmonar é o grande vilão e a maior causa de complicações e mortalidade. Os sintomas acontecem vagarosamente com falta de ar aos esforços e tosse seca. Cerca de 13% dos pcaientes necessitam de transplante de pulmão.
Quando há complicação cardíaca, o pericárdio, miocárdio e vasos podem estar envolvidos e levam a um índice de 70% de mortalidade.
A crise renal ocorre em 10% dos pacientes com início súbito de hipertensão arterial (aumento da pressão arterial) associada ou não a insuficiência renal.
Como é feito o diagnóstico de Esclerodermia?
O diagnóstico é feito com o exame clínico onde se observa um espessamento da pele nas articulações dos dedos, cicatrizes nas polpas digitais, endurecimento da ponta dos dedos e fibrose pulmonar.
Esclerodactilia-dedos mais grossos, pele mais brilhante e limitação dos movimentos

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SÍNDROME DE SJÖGREN
É a doença inflamatória crônica das glândulas exócrinas (glândulas que contêm canais que extravazam substâncias) devido a uma resposta auto-imune.
Acomete principalmete mulheres aos 40 anos.
Quais são os sintomas da Síndrome de Sjögren?
As glândulas lacrimais são as mais comprometidas e os sintomas são: sensação de areia nos olhos, pálpebras grudadas ao acordar, acúmulo de secreção ressecada na borda interna dos olhos (remela), coceira nos olhos, vermelhidão, ardência e até dificuldade para ler ou assistir televisão.
A diminuição da produção de saliva se apresenta com aumento da sede, necessidade constante de ingerir líquidos, aderência do alimento na boca, dificuldade para engulir, “rachaduras na língua”, boca e canto dos lábios, perda do paladar e cáries.
Algumas vezes observamos o aumento das parótidas, glândulas salivares que ficam abaixo da mandíbula.
Pode haver ressecamento da mucosa vaginal, predispondo o paciente a infecções urinárias e dificuldade sexual.
Como fazemos o diagnóstico de Síndrome de Sjögren?
O diagnóstico é feito através do exame clínico com evidência da diminuição de saliva e lágrimas e algumas alterações laboratoriais.
Dificuldade para ler pode ser o primeiro sintoma da Síndrome de Sjögren

Quer saber sobre o tratamento dos Reumatismos? Veja no final do Post!

ESPONDILITE ANQUILOSANTE
É uma doença inflamatória sistêmica (acomete o corpo todo), com preferência na coluna vertebral e articulação sacro-ilíaca (quadril).
O início do seu quadro é dos 20 aos 30 anos, mais frequente em homens.
A lombalgia é a queixa mais comum e podem ocorrer também alterações oculares inflamatórias( 30% dos casos) como uveite anterior aguda com dor, lacrimejamento, intolerância à luz e borramento de visão.Envolvimento cardíaco, pulmonar ou neurológica é raro.
O diagnóstico é feito através da avaliação clínica e exames laboratoriais reumatológicos alterados.

A lombalgia por inflamação da articulação sacroilíaca é comum<

Quer saber sobre o tratamento dos Reumatismos? Veja no final do Post!

GOTA ÚRICA
São inflamações nas articulações causadas por depósitos de critais, o mais comum é o depósito de ácido úrico.
Com o aumento do ácido úrico na sangue por muito tempo, há manifestação da doença com artrite monoarticular (inflamação em apenas uma articulação) e em 805 dos caos ocorre no dedão do pé. O quadro se caracteriza por dor, vermelhidão e inchaço da articulação e melhora após uma semana.
A crise de gota pode ser precipitada por consumo de álcool, regimes para obesidade, jejum prolongado, medicamentos para pressão alta, desidratação e exposição ao chumbo.
A crise ocorre principalmente à noite, com dor intensa a moderada e pode ser acompanhada de febre baixa.
Fora da crise o paciente pode ficar sem sintomas por várias semanas até anos. Quando as crises são repetidas com intervalos cada vez menores pode ocorrer comprometimento de tendões, ligamentos, bursas, etc..
A gota pode levar a litíase renal (pedra no rim) e hipertensão arterial.
Gota em dedão do pé<

TRATAMENTO DOS REUMATISMOS
O tratamento das doenças reumáticas em geral deve ser medicamentoso e de reabilitação. O tratamento medicamentoso deve ser realizado por um médico reumatologista para o melhor controle da evolução da doença. As medicações mais utilizadas são os antinflamatórios, os corticóides, os antimaláricos como a cloroquina e a hidroxicloroquina, a sulfassalazina, os sais de ouro, a d-penicilamina, metotrexato,drogas imunossupressoras (medicações que diminuem a imunidade) entre outras.
O tratamento de reabilitação do paciente com doença reumatológica deve ser orientado por um médico Fisiatra com o objetivo de melhorar a dor e a capacidade funcional deste paciente e prevenir as complicações. O médico Fisiatra coordenará um programa de terapias, visando manter a amplitude de movimento e força das articulações, corrigir e prevenir deformidades através de órteses, fisioterapia e terapia ocupacional; e por último, melhorar seu humor e qualidade de vida.

Qualidade de Vida é o principal objetivo do tratamento do paciente com reumatismo!!!<

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Torcicolo ou Cervicalgia?

A dor na região cervical da coluna é chamada de cervicalgia. Quando acontece de maneira transitória é popularmente conhecida como torcicolo. Cerca de 30% da população mundial apresentará cervicalgia no decorrer da vida. No Brasil, acredita-se que 55% da população terão estes sintomas, sendo que destes, 12% das mulheres e 9% dos homens terão cervicalgia crônica.
O torcicolo é a cervicalgia aguda e na maioria das vezes autolimitada, ou seja, os sintomas desaparecem sozinhos por volta de uma semana. Geralmente causado por uma noite mal dormida. Quando os sintomas persistem, é denominada cervicalgia e deve receber uma maior atenção.

Lula com torcicolo

A cervicalgia se instala de maneira insidiosa, ou seja, os sintomas se intensificam vagarosamente. Estes sintomas são: diminuição da amplitude de movimento(pescoço se movimenta menos), postura antiálgica(o paciente adota uma postura de defesa para diminuir a dor), dor que piora com movimentos e com palpação muscular e a rigidez muscular.

Postura de anteriorização e retificação na Cervicalgia

As causas mais comuns de cervicalgia:
-Síndrome Dolorosa Miofascial-é a mais comum, posturas viciosas e o estresse são as causas mais freqüentes. (Ver Post “Síndrome Dolorosa Miofascial”)
-Osteoartrose- a alteração degenerativa das articulações causada pelo envelhecimento pode levar à deformidades da coluna cervical provocando dor (Ver post “Artrose é doença de idosos?” e “Tratamento da artrose”)
-Traumáticas- a mais comum é a Síndrome do Chicote que acontece nos acidentes automobilísticos.
-Fraturas
-Inflamatórias- devido a doenças reumatológicas como artrite reumatóide, Lupus, espondilite anquilosante,etc…
-Infecciosas-meningite, caxumba,abscessos, etc…
- Disfunção da articulação temporo-mandibular (ATM)
-Metabólicas- osteoporose com fratura (ver Post “Osteoporose dói?”)
-Tumores locais ou metastáticos
-Congênito- devido a alterações musculares congênitas.
-Estenose do Canal Vertebral- diminuição do canal vertebral, no qual se encontra a medula, devido a processo degerativo.
-Hérnia discal- desencadeará dor em região cervical com irradiação para os braços, associado a formigamentos, perda de força e sensibilidade (Ver post “A Hérnia Discal” e “Causas e Consequências da Hérnia Discal”).
Radiculopatia cervical devido à hérnia

Como é feito o diagnóstico?
O diagnóstico é feito através de uma boa avaliação clínica do paciente associada a exames que podem auxiliar tanto no diagnóstico como no tratamento da Cervicalgia.
Os exames mais utilizados, conforme a necessidade de cada caso, são: RX de Coluna cervical e panorâmico, Tomografia computadorizada, ressonância magnética, eletroneuromiografia e até termografia.

Termografia com dor cervical e lateral da cabeça por disfunção de ATM

Qual o tratamento mais indicado?
Nos casos dos torcicolos que persistem por até uma semana, indica-se o uso de antiinflamatórios e relaxantes musculares, calor local (pode ser com uma bolsa de água quente) e retirada dos fatores desencadeantes da dor.Exercícios de alongamento regulares são benéficos para a prevenção da recorrência do torcicolo.
Nos casos de cervicalgia crônica, são utilizadas medicações para dor crônica, associada a um programa de reabilitação que visa melhora dos sintomas e prevenção da recorrência dos sintomas.
Raros são os casos cirúrgicos.

Você tem dor no pescoço e já fez tratamento sem resultados? Procure um Médico Fisiatra para uma avaliação, diagnóstico e indicação do melhor tratamento medicamentoso e de reabilitação para o seu caso!

Medicamentos Utilizados na DOR

A Dor é um sintoma que requer tratamento medicamentoso e de reabilitação. Primeiramente, a Dor deve ser diferenciada de AGUDA ou CRÔNICA (saiba a diferença lendo o Post: “Afinal, o que é a Dor?”), pois isto irá diferenciar o tratamento.
Existem diversas classes de medicações utilizadas para o Tratamento da Dor, citaremos as mais utilizadas nas Clínicas Especializadas de Dor.
Para ficar mais fácil a compreensão, este Post será dividido em categorias farmacológicas.

ANALGÉSICOS ANTINFLAMATÓRIOS

Chamados de analgésicos antiinflamatórios não esteróides (AINES).
São os mais utilizados.
Têm ação analgésica (para dor de baixa e média intensidade), antipirética (diminui a temperatura) e antiinflamatória (combate inflamação).
O Tratamento deve ser iniciado com doses baixas, que devem ser elevadas conforme orientação médica, pois em determinadas doses não há melhora de efeitos analgésicos e há maior risco de complicações.
Os antiinflamatórios são metabolizados no fígado e excretados pelos rins.
São utilizados principalmente por via oral e tópica (cremes, gel e spray).
Os mais utilizados são: ácido acetil salicílico, ácido mefenâmico, diclofenaco, dipirona, indometacina, meloxicam, nimesulida, paracetamol, piroxicam e tenoxicam (ver os nomes comerciais correspondentes na Página “”Nomes Comerciais dos Medicamentos”).
Os antiinflamatórios apresentam boa resposta analgésica nos casos de dor aguda e nas crônicas com surtos de agudização (aquelas que são contínuas, mas pioram com esforço físico e alguns movimentos).
Devemos tomar cuidado com o uso contínuo destas medicações, pois podem ocasionar efeitos colaterais. Os mais comuns são relacionados ao sistema digestivo como empachamento (a comida fica parada, sensação de barriga cheia o tempo todo), dor no estômago, náuseas, gastrite, úlceras, diarréias e até problemas no fígado. As hemorragias gástricas chegam até 25% dos doentes que usam estas medicações cronicamente. Outros adversidades comuns são alterações no sistema sanguíneo e nos rins.
Por este motivo, antes de usar qualquer medicação é muito importante ter uma orientação médica.
A Arnica é um antinflamatório natural!!!!

ANALGÉSICOS OPIÓIDES

São muito utilizados em pós-operatórios e em Dor de moderada a forte intensidade.
Podem ser classificados como opiáceos (derivam do ópio), como a codeína, o tramadol e a morfina e opióides sintéticos, como a oxicodona e a metadona.
Podem ser administrados por Via Oral, Retal (através do ânus), Intramuscular e Endovenosa (pela veia).
A codeína e o tramadol são os mais usados para dor musculoesquelética. A Morfina pode ser aplicada diretamente no Sistema Nervoso Central através da Bomba de Morfina. Este procedimento só é utilizado em casos em que todas as opções anteriores não tiveram resultados satisfatórios e não haja contra-indicações.
Já os opióides mais potentes (metadona, morfina e oxicodona) são utilizados para dores de forte intensidade como a Dor Oncológica (Ver Post “A Dor do Câncer” e “Reabilitação na Dor Oncológica”) e Neuropatias (posteiormente escreverei um Post sobre Neuropatias) mais complicadas.
Os analgésicos opiódes são metabolizados pelo fígado e excretados pelos rins e fígado e devem ser usados com cautela.
Seus principais efeitos adversos são: obstipação (efeito que pode contra indicar seu uso em pacientes com dor crônica que já apresentam esta queixa), sonolência, sedação, náuseas, vômitos e até parada respiratória (uso de doses muito elevadas).
Deve ser lembrado que estas drogas causam dependência, que deve ser diagnosticada o mais precocemente possível e tratada em equipe multiprofissional.
O ópio se origina desta flor, a Papoula!

RELAXANTES MUSCULARES

Existem os de ação muscular e os de ação no Sistema Nervoso Central.
Os mais utilizados na prática são os de ação muscular que proporcionam analgesia e relaxamento muscular.
Os mais conhecidos são: fenilbutasona, carisoprodol e tiocolchisídeo.
Devemos lembrar que a maioria dos relaxantes musculares comerciais não estão disponíveis isoladamente, estão sempre associados com analgésicos antiinflamatórios e por este motivo, devemos prestar atenção nas complicações que podem ocasionar.
Entretanto, ocasionalmente há necessidade de sedação além do relaxamento muscular. O mais utilizado nos casos de dor é a ciclobenzaprina. Seus efeitos colaterais são semelhantes aos dos antidepressivos tricíclicos.
Uma massagem relaxante pode ter os mesmos efeitos dos relaxantes musculares!!!

CORTICÓIDES

São usados na dor de origem traumática, inflamatória (doenças reumatológicas), neurológicas (neuropatia periférica e do Sistema Nervoso Central) e nas metástases ósseas.
Nas dores musculares são utilizados somente nas crises agudas ou decorrentes de traumas.
Podem ser empregados por via oral, intramuscular, intralesional (colírios e bombinhas para asma, por exemplo) e endovenosa.
Seu metabolismo é hepático e seu uso prolongado pode ocasionar Síndrome de Cushing (rosto em formato de lua, obesidade, hipertensão arterial, osteoporose e diabetes). No tratamento prolongado, a dose deve ser elevada nos surtos.
Não pode ser suspenso subitamente, pois pode causar febre, hipotensão arterial, tonturas, diarréia, hipoglicemia e até desmaios.
Os mais comumente utilizados são: prednisona, meticortem, betametasona, hidrocortisona, dexametasona e deflazacort.

A Síndrome de Cushing.

ANTIDEPRESSIVOS

São utilizados para o tratamento da dor crônica musculoesquelética, neuropática e profilaxia da enxaqueca.
Têm função sedativa, ansiolítica (diminuem a ansiedade), de relaxamento muscular e até antiinflamatória.
A dor crônica é freqüentemente associada à depressão e o uso destes medicamentos nesta associação pode trazer benefícios sem a necessidade de outras medicações, diminuindo os efeitos colaterais.
Os antidepressivos tricíclicos são aqueles que apresentam resultados mais benéficos no controle da dor.
No tratamento da dor são utilizados em doses baixas, mas podem ser aumentadas caso exista depressão ou distúrbio do sono associados.
Os principais antidepressivos tricíclicos são: amitriptilina, nortriptilina, imipramina e clomipramina. São contra-indicados em pacientes que tem glaucoma, hiperplasia benigna de próstata e arritmias cardíacas específicas.
Seus principais efeitos colaterais são sonolência e obstipação. A amitriptilina pode apresentar também aumento do apetite (principalmente para doces).
Os antidepressivos inibidores de recaptação de serotonina (IRSS) apresentam menor atuação na dor, mas são úteis nas alterações de humor que estão associadas nos casos de dor crônica, ou ainda, em casos em que os antidepressivos tricíclicos não podem ser utilizados.
Os mais usados antidepressivos IRSS são a fluoxetina, paroxetina e citalopran.
Seus principais efeitos adversos são: anorexia (falta de apetite), insônia, cefaléia, diminuição da libido e até dificuldade em ter orgasmos.
Os antidepressivos inibidores de recaptação de serotonina e noradrenalina são medicamentos da mais nova geração e os estudos mostram efeitos significativos na dor crônica. Exemplos: venlafaxina, duloxetina e mirtazapina. Seus principais efeitos colaterais são náuseas, vômitos, cefaléia, tontura e elevação transitória da pressão arterial.
Devemos lembrar que a ação analgésica dos antidepressivos não é imediata, geralmente inicia após 20-30 dias do início do tratamento e seus efeitos colaterais são mais intensos neste período. Estas medicações não podem ser retiradas abruptamente, pois podem ocasionar complicações.

PREMONIÇÃO, Salvador Dali. Não deixe que a depressão tome conta de você!

NEUROLÉPTICOS

Têm atividade sedativa, ansiolítica e anti-emética (inibe vômitos) e controlam a dor quando associados com antidepressivos.
Os mais comuns para o tratamento da dor são a clorpromazina e levomepromazina.
Devem ser usados com cautela em idosos e epilépticos. Suas complicações mais freqüentes são: sonolência, confusão mental, desmaios, urticária (alergia na pele), náuseas e dores no estômago.

ANTICONVULSIVANTES

São indicados em casos específicos de dor, a dor paroxística (dor que vem de repente, intensa e que some tão rápido quanto chegou), muito comuns nas neuropatias.
Os mais utilizados são: carbamazepina, oxcarbamazepina, topiramato e gabapentina.
Os principais efeitos colaterais são: tremores, vertigens, sonolência, confusão mental e dor de estômago.
A oxcarbamazepina e a gabapentina têm menos efeitos analgésicos, mas possuem menos efeitos adversos.

Dúvida do Dr House: e agora, que remédio devo prescrever?
BENZODIAZEPÍNICOS
Tem efeito sedativo, ansiolítico (diminuem a ansiedade), anticonvulsivantes e relaxantes musculares. Os mais utilizados no manejo da dor são:diazepam, cloxazolam, alprazolam, midazolam, clonazepam, lorazepam, bromazepam, eo flunitrazepam.
Podem ocasionar hipotensão arterial, bradi ou taquicardia, sedação, tontura, fraqueza, depressão, agitação, déficit de memória e até alterações psiquiátricas.O uso por longo período pode levar a dependência.

CONCLUSÕES

É importante saber que nenhum tratamento medicamentoso é “milagroso” e para conseguirmos melhores resultados, é necessário um bom diagnóstico, a medicação adequada, tratamento de reabilitação personalizado e MUDANÇA DE HÁBITOS. Consulte um médico Fisiatra para obter mais informações sobre o melhor tratamento para seu caso.

OS NOMES COMERCIAIS DOS MEDICAMENTOS CITADOS NESTE POST VOCÊ ENCONTRARÁ NA PÁGINA “NOMES COMERCIAIS DOS MEDICAMENTOS”.

NÃO ACHOU A MEDICAÇÃO QUE ESTAVA PROCURANDO? AINDA COM DÚVIDAS COM RELAÇÃO AO SEU TRATAMENTO MEDICAMENTOSO? DEIXE UM COMENTÁRIO

Tratamento da Artrose

O que leva um paciente com artrose a procurar um médico é a dor articular e a perda da sua função, ou seja, a limitação de seus possíveis movimentos.
Como na maioria dos casos a doença é uma parte do processo de envelhecimento, o melhor tratamento é o Preventivo.
Para determinarmos o melhor tratamento para este doente, é necessária uma avaliação especializada, que analise dois fatores:
 Articular- uma ou mais articulações envolvidas, estruturas ao redor comprometidas, grau de lesão na articulação, instabilidade, inflamação, restrição ao movimento e incapacidade.
 Individual- grau e impacto da dor, aspectos afetivos, nível de incapacidade, nível socioeconômico, qualidade de vida, expectativas e conhecimento da doença.

Articulações mais comprometidas pela artrose.

Os principais objetivos do tratamento da artrose são:
 Educação do paciente,
 Controle da dor,
 Melhora da função,
 Melhora da qualidade de vida,
 Prevenção da progressão da doença.

TRATAMENTO MEDICAMENTOSO
 ORAIS:
1. Analgésicos comuns- Muito utilizados, eles têm a vantagem de serem baratos, eficazes e com o mínimo de efeitos colaterais. É a primeira escolha na dor leve a moderada. Exemplos- Paracetamol e dipirona.
2. Analgésicos potentes- Os derivados do ópio, são necessários quando a queixa é crônica (mais de 6 meses) e muito incapacitantes (quadril). São eles: tramadol, codeína, oxicodona, morfina e metadona. Nestes casos, os efeitos colaterais indesejáveis como a constipação, náuseas, vômitos, tontura, sonolência, confusão mental podem aconetecer principalmente nos idosos.
3. Antidepressivos- São utilizados em doses baixas, na artrose crônica associada com distúrbios de sono e de humor. Os mais utilizados são a amitriptilina, nortriptilina e a imipramina.
4. Antiinflamatório Não-Hormonais (AINHS) – São muito eficazes nos sintomas da artrose. Porém, o uso contínuo e sem supervisão médica, pode levar à complicações sérias como: refluxo, gastrites, úlceras no estômago ou duodeno, alterações no fígado, retenção hídrica, insuficiência renal, hipertensão arterial, alterações nos glóbulos vermelhos do sangue, entre outros. Os mais utilizados são: diclofenaco sódico, naproxeno, ibuprofeno, nimesulida, indometacina, meloxicam, etc…
5. Corticóides- Não são freqüentemente indicados nestes casos devido aos seus efeitos colaterais.
 CONDROPROTEÇÃO
Tem ação lenta no controle da dor, sua ação se inicia após 4- 6 semanas de uso.
Sulfato de Glucosamina- é um aminoácido e faz parte da base proteica da cartilagem.
Sulfato de Condroitina- também é um aminoácido que faz parte da base proteica da cartilagem.
Diacereína-é um lipídio solúvel. Pouco eficaz na dor articular.
Cloroquina- atualmente é muito usada no controle da dor da artrose erosiva das mãos.
Abacate e Soja- Fitoterápico com o extrato do abacate e da soja.
Antibióticos- a doxiciclina é o mais utilizado.

Quais as medicações indicadas?

A medicação mais indicada no seu caso é aquela que foi indicada pelo seu médico.

 USO TÓPICO
Algumas medicações podem diminuir a dor quando aplicados no local, através de spray, cremes, gel ou patches (adesivo que grudam na pele e liberam a medicação). Os mais utilizados são os AINHS.
 INFILTRAÇÃO ARTICULAR
Na dor aguda da artrose, ou seja, quando a articulação está apresentando sinais de inflamação (inchaço, vermelhidão e aumento de temperatura) pode ser necessário fazer um agulhamento com retirada do líquido associada com aplicação de corticóide. Há um grande alívio da dor, o que faz o paciente sempre querer repetir. Quando isto acontece, a repetição do procedimento pode alterar as estruturas ao redor da articulação e piorar a incapacidade e a dor em longo prazo.
Já a infiltração com ácido hialurônico tem demonstrado melhora significativa da dor e tem como alvo a suplementação da cartilagem; os casos leves e moderados são os que apresentam melhores resultados.

infiltração de ácido hialurônico em joelho

 REABILITAÇÃO
Visa o alívio da dor, a contratura muscular, melhorar a amplitude do movimento da articulação e recuperar ou prevenir a atrofia muscular.
O Fisiatra avalia o paciente como um todo e determina qual o tratamento mais adequado para cada doente. Entre as terapias que podem ser utilizadas, temos:
1. Fisioterapia- Utiliza meios físicos para diminuição da dor com calor superficial (forno de Bier, infravermelho, parafina) ou calor profundo (ultrasson, microondas e ondas curtas) ou eletroterapia (TENS e corrente russa) ou crioterapia (uso de gelo). A fisioterapia utiliza exercícios terapêuticos chamados de cinesioterapia, para melhora do encurtamento muscular, fortalecimento e melhora da amplitude de movimentos. Com estes exercícios, pode ser feita a Reeducação Postural Global das posturas viciosas que o paciente tem. A fisioterapia estabelece treinos de equilíbrio de marcha com ou sem meios auxiliares (bengalas, muletas, andadores, etc…).
2. Terapia Ocupacional- Em casos de mãos ou outras artroses mais graves a terapia ocupacional auxilia na recuperação da função perdida.
3. Psicoterapia- Em casos crônicos em que a depressão está associada.

Cinesioterapia

 EDUCAÇÃO DO PACIENTE-
A educação dos pacientes e seus familiares é essencial para a volta do paciente à sua rotina.
Os pacientes com apoio familiar são mais otimistas com o resultado do tratamento.
As deformidades causadas pela artrose crônica limitam o paciente nas atividades diárias, levando a uma baixa auto-estima e mudando de atitude com o ambiente que o rodeia, dificultando assim, o convívio familiar e social.
Para haver uma melhora deste quadro depressivo, o Fisiatra orienta o paciente sobre o que é a doença, quais os principais medicamentos que podem ser utilizados e quais as melhores terapias e exercícios para cada caso específico.
 ACUPUNTURA
Tem efeitos benéficos na analgesia e até na movimentação da articulação.

Acupuntura

 CIRURGIAS
Há vários tipos de cirurgias para o tratamento da dor na artrose, mas a que vai trazer maior benefício para o paciente é a artroplastia total da articulação.
As indicações de cirurgias são para pacientes com as seguintes características:
1. Dor persistente e intensa mesmo com o tratamento medicamentosos e de reabilitação
2. Diminuição do movimento articular.
3. Perda de função e qualidade de vida.
4. Alterações nas articulações ao redor e nas compensatórias.

Artroplastia de Quadril

RECOMENDACÕES GERAIS:
1. Evitar subir e descer escadas.
2. Evitar ficar na mesma posição (em pé ou sentado) durante muito tempo.
3. Usar calçados adequados para absorver o impacto da marcha.
4. Adequar as atividades diárias à capacidade funcional do paciente, incluindo em sua rotina, tarefas que o ajudem a se sentir útil e recuperar a auto-estima.
5. Corrigir defeitos e amenizar vícios posturais.
6. Fazer controles hormonais.
7. Repouso para aquela articulação comprometida de 30 minutos, 4 vezes por dia.
8. No casos de crise aguda, a carga deve ser diminuída naquela articulação para não causar mais dano articular.
9. Evitar o aumento de peso e quando necessário, perder peso.
10. Atividade física orientada pelo seu Fisiatra. Geralmente as mais indicadas são a hidroginástica, natação e ciclismo.

Exercícios físicos promovem qualidade de vida

Consulte o Médico Fisiatra para orientação do tratamento medicamentoso, fisioterápico e da atividade física mais indicada para seu caso e qual o momento certo para cada uma delas!!!