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Deformidades na Coluna causam dor?

A nossa coluna vertebral é constituída por ossos chamados vértebras alinhados e sobrepostos. Ela é dividida em 4 regiões: cervical, torácica(ou dorsal), lombar e sacrococcígea. São 7 vértebras cervicais, 12 torácicas, 5 lombares, 5 sacrais e cerca de 4 coccígeas.

A Coluna Vertebral humana

Ao observar a coluna lateralmente (de perfil), ela apresenta algumas curvaturas que são consideradas fisiológicas (normais). São elas:
• Cervical- há uma curvatura convexa para frente, chamada de Lordose Cervical.
• Torácica ou Dorsal- há uma curvatura côncava para frente, chamada de Cifose Torácica.
• Lombar- há uma curvatura convexa para frente, chamada de Lordose Lombar.
• Sacrococcígea- há uma curvatura côncava para frente, chamada de Cifose Sacral.

Curvaturas Fisiológicas da Coluna Vertebral Humana

Quando uma destas curvaturas está aumentada, chamamos de Hipercifose (região dorsal e pélvica) ou Hiperlordose (região cervical e lombar). A hipercifose na região dorsal ou torácica é a famosa “Corcunda de Notredame”e a hiperlordose na região lombar é a famosa “Tanajura”.
Em uma vista anterior ou posterior, a coluna vertebral não apresenta nenhuma curvatura. Quando ocorre alguma curvatura neste plano chamamos de Escoliose,ou seja, é uma alteração na curvatura normal da coluna.

Corcunda de Notredame

A Escoliose é a deformidade na coluna mais comum. A idiopática (sem causa aparente) é a forma mais freqüente e pode ocorrer em todas as idades (crianças até idosos). Outras causas de escoliose são:
-congênita (devido a anormalidades ósseas estruturais),
-doenças neuromusculares (atrofia muscular espinhal, mielomeningocele),
-miopáticas (artrogripose, distrofias musculares, hipotonia congênita e miotonia distrófica),
-neurofibromatose,
-mesenquimal (Síndrome de Marfan, homocistinúria, Síndrome de Ehlers Danlos),
-traumática,
-tumores,
-osteocondrodisplasias (acondroplasia, nanismo, mucopolissacaridoses),
-metabólica (raquitismo, osteogênese imperfecta),
-neuropática (lesão medular ou cerebral, radiculopatias e neuropatias periféricas),
-postural e
-diferença entre o comprimento das pernas.
O grau do ângulo de curvatura da escoliose é importante para determinarmos o tratamento que deverá ser prescrito para o paciente.
Em geral preconiza-se que curvas menores de 10 graus somente necessitam observação e prática de atividade física bem orientada.Curvas de até 20 graus necessitam observação, de 20 a 40 graus as curvas entram na etapa de tratamento, com colete, fisioterapia e exercícios. Curvas acima de 40 graus passam a ter indicação cirúrgica a ser avaliada pela equipe médica. Na presença de curvas de mais de 60 graus, ocorre comprometimento da função cardiopulmonar, podendo haver uma doença pulmonar restritiva secundária em conseqüência da deformidade torácica (dificuldade de respirar e muito cansaço ao realizar atividades). A progressão da curva é mais comum durante o crescimento contínuo do esqueleto, contudo, sabe-se que curvas moderadas, de 40 a 50 graus podem ter progressão na vida adulta, em média de 1 a 2 graus ao ano.
Devemos lembrar dos riscos de aumento desta deformidade:
-curvas duplas e torácicas.
-idade menor, risco maior.
-pré menarca (meninas que ainda não menstruaram).
-sexo feminino.
-grau da curva alto na descoberta.
-osteoporose associada.
-doença neuromuscular associada.

Escoliose

A Cifose torácica normal varia de 25 a 45 graus . O aumento da Cifose torácica ou dorsal pode ter diversas causas:
• Congênita- falha na formação e estruturação óssea.
• Postural
• Doença de Scheuermann- cifoses dorsais acima de 45 graus acompanhadas de dor, em crianças por volta dos 10 anos de idade. A confirmação do diagnóstico se dá através de raio X que mostram anormalidades do crescimento de placas terminais de pelo menos três corpos vertebrais maiores de 5 graus em relação ao seu acunhamento. É uma cifose abrupta e fixa, geralmente acompanhada de dor.
• Mielomeningocele
• Tumor
• Trauma
• Doenças inflamatórias
• Doenças metabólicas

O tratamento da hipercifose é feito com reabilitação e reeducação postural. No caso da Doença de Scheuermann pode ser necessário o uso de colete OTLS (occipto-tóraco-lombo-sacro) quando ainda restam pelo menos dois anos de potencial de crescimento esquelético associado a programa de exercícios posturais.

Colete OTLS

A Hiperlordose Lombar causa um desequílibrio mecânico na coluna, sendo um dos principais responsáveis pela dor nesta região.
É atribuída a algumas causas, são elas:
• Postural
• Paralisias
• Congênita
• Flexão dos quadris
Os músculos abdominais fracos e um abdome protuberante são fatores de risco para a hiperlordose.
Caracteristicamente, a dor nas costas em pessoas com aumento da lordose lombar ocorre durante as atividades que envolvem a extensão da coluna lombar, tal como o ficar em pé por muito tempo (que tende a acentuar a lordose). A flexão do tronco usualmente alivia a dor, de modo que a pessoa frequentemente prefere sentar ou deitar.

A dor lombar nas costas da mulher grávida é causada principalmente pelo aumento da Lordose Lombar que aparece devido ao aumento da barriga. Este aumento desvia para frente o centro de gravidade da coluna e esta postura sobrecarrega músculos, ligamentos e discos.

Hiperlordose da mulher grávida

As deformidades na coluna vertebral podem estar relacionadas à dor devido a uma alteração postural que elas desencadeiam, originando a Síndrome Dolorosa Miofascial (Ver post “Síndrome Dolorosa Miofascial”) e algumas causas destas deformidades podem agravar a intensidade da dor.

Se você apresenta alterações na coluna vertebral, faça uma avaliação com um médico Fisiatra para ter um diagnóstico e uma prescrição de tratamento de reabilitação visando melhora da postura, da dor (controle e prevenção) e do seu condicionamento físico.

Será que eu tenho uma LER?

A LER (lesão por esforço repetitivo) ou DORT (Distúrbio Osteomuscular Relacionado ao Trabalho) é um conjunto de alterações nos músculos, tendões, articulações, nervos, vasos sangüíneos e até na pele relacionadas às atividades laborais. A LER está relacionada à dor e incapacidade funcional.
As principais síndromes (conjuntos de sinais e sintomas) clínicas são:
• Cervicalgias- são as dores na região cervical. Na maioria dos casos ocorrem devido à sobrecarga na musculatura desta região, posturas inadequadas por um longo período e estresse. (Ver Post “Síndrome Dolorosa Miofascial”). Eventualmente, alguns indivíduos apresentam hérnia cervical, ocorrendo em idade não comum e relacionada a atividades com muito esforço físico na região. (Ver Post “A Hérnia Discal”). Quando a dor da região cervical irradia para um dos braços é chamada de CERVICOBRAQUIALGIA.

Cervicalgia

• Tendinopatias- podem acontecer na região do ombro (supraespinhoso, bicipital), do cotovelo (epicondilites) e nos punhos (tenossinovite de Quervain). Quando existe inflamação é chamado de tendinite e sugere acometimento muscular além dos tendões. As tendinites e as tenossinovites acontecem devido a um aumento da tensão muscular, que aumentam o estresse na inserção e origem destas estruturas levando a uma diminuição da oferta de oxigênio e inflamação crônica (para você saber um pouco mais de anatomia e entender como isto acontece leia na página “Anatomia Locomotora”). As tendinopatias são causadas por exercícios excessivos, posturas viciosas, traumas no local e atividades repetitivas prolongadas com intervalos muito curtos, insuficientes para o repouso muscular.

Postura inadequada no computador

• Lesões do Manguito Rotador- causam dor nos ombros principalmente na abdução (afastar o braço lateralmente do corpo), rotação externa e elevação do braço. Esta dor pode irradiar para a região escapular (osso que parece uma pá nas costas) e braços. Há perda de função e pode até acontecer a capsulite adesiva (ombro congelado) ou a Síndrome Complexa de Dor Regional). É mais freqüente em trabalhadores de linha de montagem e naqueles que trabalham com o braço levantado acima da cabeça.

Linha de Montagem com braço elevado

• Flexores e Extensores dos Dedos- As tendinites e tenossinovites desta região são originadas por esforços repetitivos das mãos associadas à preensão com força.
•Epicondilites- são conseqüência de atividades repetitivas com força de punho e antebraço.

Epicôndilo medial e lateral

• Tendinite de Quervain- é conseqüência dos movimentos em que há desvio lateral do punho, muito comum com o uso de tesouras, alicates e torção de roupas.

Uso de tesoura pode ocasionar LER

• Síndrome dolorosa Miofascial – ver Post “Síndrome Dolorosa Miofascial”.
• Neuropatias Periféricas- na maioria das vezes são decorrentes de compressão de nervos. As mais comuns são:
1. Síndrome do Desfiladeiro Torácico- caracterizada por formigamentos, diminuição da sensibilidade, diminuição da força, músculos atrofiados, dor em ombro e braços e alteração de temperatura, cor e suor no braço acometido. Mais comum em trabalhadores que fazem transporte de carga pesada nos ombros ou trabalho com a cabeça elevada.
2- Síndrome do Pronador Redondo- dor espontânea na região do cotovelo e nos 3 primeiros dedos (polegar, indicador e anular). Ocorre em movimentos de giratórios do antebraço (parafusar por exemplo) e em indivíduos que fazem musculação sem orientação adequada.
3. Síndrome do Túnel do Carpo- dor, formigamento e até diminuição da força dos dedos da mão. Freqüente em indivíduos que digitam mal posicionados. (Em breve teremos um novo Post sobre Síndrome do Túnel do Carpo)
4. Distrofia Simpático Reflexa ou Síndrome Complexa de Dor Regional ou Causalgia- dor em caráter de queimação, latejamento, peso, choque, de grande intensidade, com diminuição de força, inchaço, suor excessivo, atrofia muscular e da pele e alteração de unhas e pêlos no local.

Distrofia Simpático Reflexa da Mão

TRATAMENTO DA LER
O Tratamento da LER é complexo e visa a readaptação do indivíduo às atividades profissionais.
Deve-se levar em consideração o fator causal e corrigi-lo através de medidas preventivas, terapêuticas e de remodelação do ambiente de trabalho.
A Reabilitação é tão essencial quanto o tratamento medicamentoso e integra a cinesioterapia (terapia através de exercícios específicos), acupuntura, uso de órteses quando necessário, terapia ocupacional (orienta a readaptação do ambiente e como praticar as atividades profissionais), ergonomia (correção de posturas inadequadas) e a Psicoterapia (essencial nos casos crônicos). Os programas educativos cognitivo–comportamentais apresentam resultados animadores.
A LER pode ocasionar dor crônica com incapacidade laboral e afetar sono, auto-estima, apetite, lazer, relacionamento com amigos e familiares. Por isso,o Médico Fisiatra deve considerar todas estas questões no tratamento de reabilitação, assim como os fatores perpetuantes e agravantes da dor.

Para saber se sua dor é uma LER, você deve procurar um Médico do Trabalho ou um Perito, que irá relacionar os sintomas e as alterações apresentadas com a sua atividade profissional. Uma vez diagnosticada a LER, o tratamento deve ser orientado por um Médico Fisiatra que vai indicar o melhor tratamento medicamentoso e de reabilitação conforme o caso. Este tratamento de reabilitação deve ser multiprofissional e visa melhora da qualidade de vida, melhora dos sintomas, readaptação e reabilitação social e profissional.