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Torcicolo ou Cervicalgia?

A dor na região cervical da coluna é chamada de cervicalgia. Quando acontece de maneira transitória é popularmente conhecida como torcicolo. Cerca de 30% da população mundial apresentará cervicalgia no decorrer da vida. No Brasil, acredita-se que 55% da população terão estes sintomas, sendo que destes, 12% das mulheres e 9% dos homens terão cervicalgia crônica.
O torcicolo é a cervicalgia aguda e na maioria das vezes autolimitada, ou seja, os sintomas desaparecem sozinhos por volta de uma semana. Geralmente causado por uma noite mal dormida. Quando os sintomas persistem, é denominada cervicalgia e deve receber uma maior atenção.

Lula com torcicolo

A cervicalgia se instala de maneira insidiosa, ou seja, os sintomas se intensificam vagarosamente. Estes sintomas são: diminuição da amplitude de movimento(pescoço se movimenta menos), postura antiálgica(o paciente adota uma postura de defesa para diminuir a dor), dor que piora com movimentos e com palpação muscular e a rigidez muscular.

Postura de anteriorização e retificação na Cervicalgia

As causas mais comuns de cervicalgia:
-Síndrome Dolorosa Miofascial-é a mais comum, posturas viciosas e o estresse são as causas mais freqüentes. (Ver Post “Síndrome Dolorosa Miofascial”)
-Osteoartrose- a alteração degenerativa das articulações causada pelo envelhecimento pode levar à deformidades da coluna cervical provocando dor (Ver post “Artrose é doença de idosos?” e “Tratamento da artrose”)
-Traumáticas- a mais comum é a Síndrome do Chicote que acontece nos acidentes automobilísticos.
-Fraturas
-Inflamatórias- devido a doenças reumatológicas como artrite reumatóide, Lupus, espondilite anquilosante,etc…
-Infecciosas-meningite, caxumba,abscessos, etc…
Disfunção da articulação temporo-mandibular (ATM)
-Metabólicas- osteoporose com fratura (ver Post “Osteoporose dói?”)
-Tumores locais ou metastáticos
-Congênito- devido a alterações musculares congênitas.
-Estenose do Canal Vertebral- diminuição do canal vertebral, no qual se encontra a medula, devido a processo degerativo.
-Hérnia discal- desencadeará dor em região cervical com irradiação para os braços, associado a formigamentos, perda de força e sensibilidade (Ver post “A Hérnia Discal” e “Causas e Consequências da Hérnia Discal”).
Radiculopatia cervical devido à hérnia

Como é feito o diagnóstico?
O diagnóstico é feito através de uma boa avaliação clínica do paciente associada a exames que podem auxiliar tanto no diagnóstico como no tratamento da Cervicalgia.
Os exames mais utilizados, conforme a necessidade de cada caso, são: RX de Coluna cervical e panorâmico, Tomografia computadorizada, ressonância magnética, eletroneuromiografia e até termografia.

Termografia com dor cervical e lateral da cabeça por disfunção de ATM

Qual o tratamento mais indicado?
Nos casos dos torcicolos que persistem por até uma semana, indica-se o uso de antiinflamatórios e relaxantes musculares, calor local (pode ser com uma bolsa de água quente) e retirada dos fatores desencadeantes da dor.Exercícios de alongamento regulares são benéficos para a prevenção da recorrência do torcicolo.
Nos casos de cervicalgia crônica, são utilizadas medicações para dor crônica, associada a um programa de reabilitação que visa melhora dos sintomas e prevenção da recorrência dos sintomas.
Raros são os casos cirúrgicos.

Você tem dor no pescoço e já fez tratamento sem resultados? Procure um Médico Fisiatra para uma avaliação, diagnóstico e indicação do melhor tratamento medicamentoso e de reabilitação para o seu caso!

Mito da “Dor do Ciático” ou Síndrome do Piriforme?

É muito comum ouvirmos queixas de dor na região lombar ou glúteos irradiadas para a perna como “dor do ciático”. Na maioria das vezes isto é apenas a forma como as pessoas conseguem descrever a localização da sua dor devido ao fato de conhecerem o mito da “Dor do Ciático”.
Para entendermos o que está causando a dor nesta região, precisamos conhecer que é realmente esta “Dor do Ciático”.
O nervo Ciático é o mais longo do corpo humano, ele se estende desde a região lombar (entre a L4 e L5) até o dedão do pé e durante este trajeto atravessa alguns músculos, inclusive um músculo profundo na região glútea, o músculo PIRIFORME (este músculo realiza a rotação lateral da coxa).

Trajeto do  Nervo Ciático

A “Dor do Ciático” é aquela causada por uma compressão de sua raiz nervosa, localizada na região lombar (L4 e L5), na maioria das vezes causada por uma hérnia discal (Não por um abaulamento ou protusão!!!).
Veja a diferença entre hérnia, protusão e abaulamento no Post “Hérnia Discal” e aprenda sobre seus sintomas e tratamento em “Causas e Conseqüências da Hérnia Discal”.
A compressão do nervo ciático pode ser evidenciada pela Eletroneuromigrafia que mostrará uma radiculopatia na região de L4 e L5. Neste caso, podemos chamar de “Dor do Ciático” ou “Ciatalgia”.

Compressão do Nervo Ciático

A SÍNDROME DO PIRIFORME é causada por trauma no local (cair sentado, por exemplo), hiperlordose (nas grávidas principalmente, ver Post “Deformidades na Coluna causam dor?”), em atletas (maratonistas, ciclistas e praticantes de spinning) e hábitos posturais não saudáveis (como ficar muito tempo sentado e dormir em posição fetal). Acontece devido a uma contratura deste músculo (ver Post “Síndrome Dolorosa Miofascial”) que comprime o nervo ciático em seu trajeto na região glútea.

Dormir na posição fetal pode desencadear a Síndrome do Piriforme!!

Os sintomas da Síndrome do Piriforme são dor em região lombar, e/ou sacral, com irradiação para a região póstero-lateral da coxa, podendo se estender até o pé. Esta dor piora com a posição sentada por período prolongado (principalmente quando o paciente cruza as pernas), ou ficar em pé por período prolongado ou ainda, durante uma corrida. Eventualmente os pacientes podem sentir formigamento ou dormência na localização da irradiação da dor. A reprodução da dor pode ser conseguida através de manobras específicas que mimetizam a função deste músculo e através da palpação deste músculo realizada por um especialista.

O nervo ciático passa pelas fibras musculares do músculo piriforme!

A Síndrome do Piriforme deve ser avaliada por um médico Fisiatra, pois pode ser confundida com outras patologias como a hérnia de disco, tumor em coluna ou pélvico, artrose de quadril e até mesmo fratura de colo de fêmur (Veja no Post “Síndrome Dolorosa Miofascial” seus sintomas, causas e tratamento).
O tratamento da Síndrome do Piriforme é feito com o diagnóstico correto dos músculos acometidos (eventualmente outros músculos podem apresentar Síndrome Dolorosa Miofascial concomitante), prescrição do tratamento medicamentoso (que depende do tempo de duração da dor, se ela é aguda ou crônica) e do tratamento de reabilitação que será realizado inicialmente com fisioterapia (através de analgesia com meios físicos, cinesioterapia e miofascioterapia), orientações ergonômicas, reeducação postural e posteriormente com exercícios físicos prescritos pelo médico Fisiatra. Em casos mais rebeldes, pode ser necessária a infiltração com lidocaína (anestésico local) no músculo para melhora do sintoma doloroso e facilitar o tratamento de reabilitação.

Alongamento  do músculo Piriforme e glúteos

Se você apresenta sintomas semelhantes aos acima descritos, procure um médico Fisiatra que pode diagnosticar precisamente os músculos envolvidos na dor, descartar outras patologias e orientar o tratamento de reabilitação e de prevenção de recorrência das dores.

Medicamentos Utilizados na DOR

A Dor é um sintoma que requer tratamento medicamentoso e de reabilitação. Primeiramente, a Dor deve ser diferenciada de AGUDA ou CRÔNICA (saiba a diferença lendo o Post: “Afinal, o que é a Dor?”), pois isto irá diferenciar o tratamento.
Existem diversas classes de medicações utilizadas para o Tratamento da Dor, citaremos as mais utilizadas nas Clínicas Especializadas de Dor.
Para ficar mais fácil a compreensão, este Post será dividido em categorias farmacológicas.

ANALGÉSICOS ANTINFLAMATÓRIOS

Chamados de analgésicos antiinflamatórios não esteróides (AINES).
São os mais utilizados.
Têm ação analgésica (para dor de baixa e média intensidade), antipirética (diminui a temperatura) e antiinflamatória (combate inflamação).
O Tratamento deve ser iniciado com doses baixas, que devem ser elevadas conforme orientação médica, pois em determinadas doses não há melhora de efeitos analgésicos e há maior risco de complicações.
Os antiinflamatórios são metabolizados no fígado e excretados pelos rins.
São utilizados principalmente por via oral e tópica (cremes, gel e spray).
Os mais utilizados são: ácido acetil salicílico, ácido mefenâmico, diclofenaco, dipirona, indometacina, meloxicam, nimesulida, paracetamol, piroxicam e tenoxicam (ver os nomes comerciais correspondentes na Página “”Nomes Comerciais dos Medicamentos”).
Os antiinflamatórios apresentam boa resposta analgésica nos casos de dor aguda e nas crônicas com surtos de agudização (aquelas que são contínuas, mas pioram com esforço físico e alguns movimentos).
Devemos tomar cuidado com o uso contínuo destas medicações, pois podem ocasionar efeitos colaterais. Os mais comuns são relacionados ao sistema digestivo como empachamento (a comida fica parada, sensação de barriga cheia o tempo todo), dor no estômago, náuseas, gastrite, úlceras, diarréias e até problemas no fígado. As hemorragias gástricas chegam até 25% dos doentes que usam estas medicações cronicamente. Outros adversidades comuns são alterações no sistema sanguíneo e nos rins.
Por este motivo, antes de usar qualquer medicação é muito importante ter uma orientação médica.
A Arnica é um antinflamatório natural!!!!

ANALGÉSICOS OPIÓIDES

São muito utilizados em pós-operatórios e em Dor de moderada a forte intensidade.
Podem ser classificados como opiáceos (derivam do ópio), como a codeína, o tramadol e a morfina e opióides sintéticos, como a oxicodona e a metadona.
Podem ser administrados por Via Oral, Retal (através do ânus), Intramuscular e Endovenosa (pela veia).
A codeína e o tramadol são os mais usados para dor musculoesquelética. A Morfina pode ser aplicada diretamente no Sistema Nervoso Central através da Bomba de Morfina. Este procedimento só é utilizado em casos em que todas as opções anteriores não tiveram resultados satisfatórios e não haja contra-indicações.
Já os opióides mais potentes (metadona, morfina e oxicodona) são utilizados para dores de forte intensidade como a Dor Oncológica (Ver Post “A Dor do Câncer” e “Reabilitação na Dor Oncológica”) e Neuropatias (posteiormente escreverei um Post sobre Neuropatias) mais complicadas.
Os analgésicos opiódes são metabolizados pelo fígado e excretados pelos rins e fígado e devem ser usados com cautela.
Seus principais efeitos adversos são: obstipação (efeito que pode contra indicar seu uso em pacientes com dor crônica que já apresentam esta queixa), sonolência, sedação, náuseas, vômitos e até parada respiratória (uso de doses muito elevadas).
Deve ser lembrado que estas drogas causam dependência, que deve ser diagnosticada o mais precocemente possível e tratada em equipe multiprofissional.
O ópio se origina desta flor, a Papoula!

RELAXANTES MUSCULARES

Existem os de ação muscular e os de ação no Sistema Nervoso Central.
Os mais utilizados na prática são os de ação muscular que proporcionam analgesia e relaxamento muscular.
Os mais conhecidos são: fenilbutasona, carisoprodol e tiocolchisídeo.
Devemos lembrar que a maioria dos relaxantes musculares comerciais não estão disponíveis isoladamente, estão sempre associados com analgésicos antiinflamatórios e por este motivo, devemos prestar atenção nas complicações que podem ocasionar.
Entretanto, ocasionalmente há necessidade de sedação além do relaxamento muscular. O mais utilizado nos casos de dor é a ciclobenzaprina. Seus efeitos colaterais são semelhantes aos dos antidepressivos tricíclicos.
Uma massagem relaxante pode ter os mesmos efeitos dos relaxantes musculares!!!

CORTICÓIDES

São usados na dor de origem traumática, inflamatória (doenças reumatológicas), neurológicas (neuropatia periférica e do Sistema Nervoso Central) e nas metástases ósseas.
Nas dores musculares são utilizados somente nas crises agudas ou decorrentes de traumas.
Podem ser empregados por via oral, intramuscular, intralesional (colírios e bombinhas para asma, por exemplo) e endovenosa.
Seu metabolismo é hepático e seu uso prolongado pode ocasionar Síndrome de Cushing (rosto em formato de lua, obesidade, hipertensão arterial, osteoporose e diabetes). No tratamento prolongado, a dose deve ser elevada nos surtos.
Não pode ser suspenso subitamente, pois pode causar febre, hipotensão arterial, tonturas, diarréia, hipoglicemia e até desmaios.
Os mais comumente utilizados são: prednisona, meticortem, betametasona, hidrocortisona, dexametasona e deflazacort.

A Síndrome de Cushing.

ANTIDEPRESSIVOS

São utilizados para o tratamento da dor crônica musculoesquelética, neuropática e profilaxia da enxaqueca.
Têm função sedativa, ansiolítica (diminuem a ansiedade), de relaxamento muscular e até antiinflamatória.
A dor crônica é freqüentemente associada à depressão e o uso destes medicamentos nesta associação pode trazer benefícios sem a necessidade de outras medicações, diminuindo os efeitos colaterais.
Os antidepressivos tricíclicos são aqueles que apresentam resultados mais benéficos no controle da dor.
No tratamento da dor são utilizados em doses baixas, mas podem ser aumentadas caso exista depressão ou distúrbio do sono associados.
Os principais antidepressivos tricíclicos são: amitriptilina, nortriptilina, imipramina e clomipramina. São contra-indicados em pacientes que tem glaucoma, hiperplasia benigna de próstata e arritmias cardíacas específicas.
Seus principais efeitos colaterais são sonolência e obstipação. A amitriptilina pode apresentar também aumento do apetite (principalmente para doces).
Os antidepressivos inibidores de recaptação de serotonina (IRSS) apresentam menor atuação na dor, mas são úteis nas alterações de humor que estão associadas nos casos de dor crônica, ou ainda, em casos em que os antidepressivos tricíclicos não podem ser utilizados.
Os mais usados antidepressivos IRSS são a fluoxetina, paroxetina e citalopran.
Seus principais efeitos adversos são: anorexia (falta de apetite), insônia, cefaléia, diminuição da libido e até dificuldade em ter orgasmos.
Os antidepressivos inibidores de recaptação de serotonina e noradrenalina são medicamentos da mais nova geração e os estudos mostram efeitos significativos na dor crônica. Exemplos: venlafaxina, duloxetina e mirtazapina. Seus principais efeitos colaterais são náuseas, vômitos, cefaléia, tontura e elevação transitória da pressão arterial.
Devemos lembrar que a ação analgésica dos antidepressivos não é imediata, geralmente inicia após 20-30 dias do início do tratamento e seus efeitos colaterais são mais intensos neste período. Estas medicações não podem ser retiradas abruptamente, pois podem ocasionar complicações.

PREMONIÇÃO, Salvador Dali. Não deixe que a depressão tome conta de você!

NEUROLÉPTICOS

Têm atividade sedativa, ansiolítica e anti-emética (inibe vômitos) e controlam a dor quando associados com antidepressivos.
Os mais comuns para o tratamento da dor são a clorpromazina e levomepromazina.
Devem ser usados com cautela em idosos e epilépticos. Suas complicações mais freqüentes são: sonolência, confusão mental, desmaios, urticária (alergia na pele), náuseas e dores no estômago.

ANTICONVULSIVANTES

São indicados em casos específicos de dor, a dor paroxística (dor que vem de repente, intensa e que some tão rápido quanto chegou), muito comuns nas neuropatias.
Os mais utilizados são: carbamazepina, oxcarbamazepina, topiramato e gabapentina.
Os principais efeitos colaterais são: tremores, vertigens, sonolência, confusão mental e dor de estômago.
A oxcarbamazepina e a gabapentina têm menos efeitos analgésicos, mas possuem menos efeitos adversos.

Dúvida do Dr House: e agora, que remédio devo prescrever?
BENZODIAZEPÍNICOS
Tem efeito sedativo, ansiolítico (diminuem a ansiedade), anticonvulsivantes e relaxantes musculares. Os mais utilizados no manejo da dor são:diazepam, cloxazolam, alprazolam, midazolam, clonazepam, lorazepam, bromazepam, eo flunitrazepam.
Podem ocasionar hipotensão arterial, bradi ou taquicardia, sedação, tontura, fraqueza, depressão, agitação, déficit de memória e até alterações psiquiátricas.O uso por longo período pode levar a dependência.

CONCLUSÕES

É importante saber que nenhum tratamento medicamentoso é “milagroso” e para conseguirmos melhores resultados, é necessário um bom diagnóstico, a medicação adequada, tratamento de reabilitação personalizado e MUDANÇA DE HÁBITOS. Consulte um médico Fisiatra para obter mais informações sobre o melhor tratamento para seu caso.

OS NOMES COMERCIAIS DOS MEDICAMENTOS CITADOS NESTE POST VOCÊ ENCONTRARÁ NA PÁGINA “NOMES COMERCIAIS DOS MEDICAMENTOS”.

NÃO ACHOU A MEDICAÇÃO QUE ESTAVA PROCURANDO? AINDA COM DÚVIDAS COM RELAÇÃO AO SEU TRATAMENTO MEDICAMENTOSO? DEIXE UM COMENTÁRIO

Osteoporose dói?

Antes de respondermos esta pergunta, precisamos entender como funciona o tecido ósseo.
O osso possui três tipos de células:
-Osteoblasto- células novas que formam a estrutura óssea.
-Osteócito- células maduras que regulam a quantidade de minerais (Cálcio) no tecido ósseo.
-Osteoclasto- reabsorvem as células “gastas e velhas”.
O osso saudável apresenta equilíbrio entre estas células e consegue manter sua estrutura forte para absorver impacto e a carga que nosso corpo necessita para realizar suas funções.

O osso e suas estruturas

Existem alguns fatores de risco que podem alterar o equilíbrio das células ósseas e levar a uma alteração em sua estrutura:
• Raça branca
• Histórico familiar de osteoporose
• Vida sedentária
• Baixa ingestão de cálcio e/ou vitamina D
• Menopausa – mulher para de produzir o estrógeno, que é um hormônio que auxilia na captação do Cálcio
• Tabagismo ou alcoolismo
• Pessoa magra ou com baixa estatura
• Fratura sem trauma prévia
• Uso de medicamentos por período prolongado: anticonvulsivantes, hormônio tireoideano, corticóides e anticoagulantes.
• Doenças como hepatopatia crônica, doença de Cushing, diabetes mellitus, hiperparatireoidismo, linfoma, leucemia, má-absorção, gastrectomia, doenças nutricionais, mieloma, artrite reumatóide e sarcoidose.

Quando as alterações atingem somente a função dos osteócitos e leva a uma diminuição na quantidade de Cálcio do Osso, recebe o nome de OSTEOPENIA. A osteopenia não é doença e pode ser corrigida. Se permanecer por longo período, pode evoluir para a OSTEOPOROSE.

Osteoporose é a alteração da estrutura óssea, a arquitetura do osso fica mais frágil e propensa a fraturas.

Osteoporose

Sabe-se que 10 milhões de brasileiros sofrem de osteoporose. De cada 3 em cada 4 doentes são do sexo feminino.
Uma em cada 3 mulheres com mais de 50 anos tem a doença. 75% dos diagnósticos são feitos somente após a primeira fratura.
No Brasil há 2,4 milhões de fraturas decorrentes da osteoporose ocorrem anualmente. Devido a estas fraturas 200.000 pessoas morrem todos os anos em nosso país.

Homem pode ter Osteoporose?

Sim, os homens a partir de 70 anos são susceptíveis a desenvolver osteoporose. Eventualmente pode acontecer antes desta idade quando associado a um fator de risco descrito acima.

Osteoporose dói?

Por si só, a osteoporose não ocasiona dor, mas quando existem fraturas ou alteração postural significativa pode causar dor.
As fraturas mais comuns são nas vértebras da coluna, no fêmur e no punho.

Fratura vertebral na osteoporose

Fratura de fêmur devido a osteoporose

Fratura de punho (Colles) devido a osteoporose

A osteoporose de longa data proporciona uma alteração postural na coluna vertebral. Há o “acunhamento” da vértebra, ou seja, a estrutura deste osso fica deformada, sendo chamada de vértebra de ‘peixe’, com a borda anterior menor que a posterior levando a uma cifose, a “Corcunda do Notredame”. Estas alterações posturais podem levar a uma Síndrome Dolorosa Miofascial (veja mais no Post correspondente).

Progressão da Cifose na osteoporose

Como diagnosticar a Osteoporose?

Após a identificação dos fatores de risco, deve ser solicitado a DENSITOMETRIA ÓSSEA. Através deste exame, o médico poderá instituir o melhor tratamento para o paciente.

Densitometria Óssea do fêmur

Como tratar a Osteoporose?

Muitas vezes a Densitometria Óssea acusa Osteopenia que deve ser tratada para a prevenção da Osteoporose. Nestes casos, o paciente deve instituir o tratamento preventivo da Osteoporose que será descrito a seguir e tomar Cálcio e Vitamina D.
O tratamento da osteoporose é feito com visitas periódicas ao médico. O uso de Cácio e Vitamina D são associados com medicamentos que são chamados bifosfonatos (alendronato, risedronato, ibandronato e raloxifeno) que auxiliam na remodelação óssea e impedem a progressão da fragilidade óssea. No caso de mulheres na menopausa, pode ser feita a Terapia de Reposição Hormonal.

Como prevenir a Osteoporose?

A massa óssea do ser humano é formada durante seu crescimento, ou seja, durante a adolescência. Nesta época é necessário ter uma ingesta de Cálcio adequada para evitar uma perda de massa óssea no futuro.
Na vida adulta, podemos prevenir a osteoporose com:
-Dieta rica em Cálcio (leite e seus derivados, verduras escuras – espinafre, brócolis, couve- e peixes)
-Prática de atividade física (deve ser orientada por um médico Fisiatra).
-Correção Postural (prescrita por um médico Fisiatra).
-Tomar sol (antes das 10hs da manhã ou após as 16hs para evitar lesões na pele).
-Eliminar o fumo.
-Evitar bebidas alcoólicas e café em excesso.
-Evitar medicamentos que favoreçam quedas (indutores de sono e sedativos).
-Usar medicamentos somente com a prescrição médica.
-Exame de Densitometria Óssea anual para avaliação da doença.
– Cuidados domésticos para se evitar quedas (retirar tapetes, disposição adequada dos móveis etc.).

Leite é rico em Cálcio

Somente o acompanhamento médico periódico permite avaliar o estágio da doença e as medidas preventivas e terapêuticas adequadas a cada caso.

Você tem Lombalgia Crônica?

A Lombalgia é a dor na região lombar da coluna vertebral.
Cerca de 90% da população vai apresentar pelo menos um episódio de dor lombar em sua vida. É um sintoma e não uma doença.
Nos países desenvolvidos é a principal causa de incapacidade em menores de 45 anos.
Acomete igualmente homens e mulheres. Com o passar dos tempos as mulheres começaram a sentir mais dor lombar devido à menopausa (parada do ciclo menstrual) e suas conseqüências como a Osteoporose (perda de cálcio no osso associado com alteração na arquitetura do osso).
É a segunda causa de procura de atendimentos médicos em decorrência de doenças crônicas. Seus números de faltas ao trabalho ultrapassam o câncer, o AVC (Acidente Vascular Cerebral) e a AIDS (Síndrome da Imunodeficiência Adquirida) na idade produtiva. Trata-se de um problema Médico e Econômico por seus elevados custos sociais: assistência médica, faltas no trabalho, diminuição da produtividade e do número de tarefas cotidianas, substituição de suas atividades por terceiros e afastamento do trabalho (temporário ou definitivo).

Dor em região lombar da coluna vertebral

A notícia boa é que a lombalgia é auto limitada, ou seja, o sintoma passa em 90% da população até a sétima semana após o aparecimento. Metade destes pacientes vai apresentar novo sintoma após um ano. Sabe-se atualmente que até 45% cronificam a dor.
APENAS 3% DOS CASOS DE LOMBALGIA NECESSITAM DE CIRURGIA.

Quem tem mais probabilidade de ter Lombalgia Crônica?
Os principais fatores de risco são:
1. Deformidades Posturais- na coluna (escoliose, cifose, hiperlordose) e em outros locais como nas pernas, ou tronco e cinturas deproporcionais
2. Sedentarismo
3. Obesidade
4. Doenças neuromusculares
5. Cirurgia lombar anterior
6. Doenças psiquiátricas
7. Problemas econômicos sociais.

Quais são as causas da Lombalgia?
Em 85% dos casos são devido a Síndrome Dolorosa Miofascial. Veja o post da Síndrome Dolorosa Miofascial.
Os outros 15% correspondem a doenças orgânicas específicas, doença inflamatória na coluna (doenças reumáticas como a artrose, lúpus e artrite reumatóide), câncer, hérnia discal (Veja o Post A Hérnia Discal), estenose do canal raquidiano (diminuição do canal por onde passa a medula espinhal- veja sobre a anatomia da coluna vertebral no post A Hérnia Discal), instabilidade das vértebras (devido a algum trauma) e infecções.
Estenose do canal lombar

Eu tenho Lombalgia o que devo fazer?
Procure um médico especialista em dor para fazer uma avaliação clínica e solicitar exames que sejam necessários para um diagnóstico correto. Na maioria das vezes são feitos Raio X (para avaliação de deformidades, sinais de osteoartrose, escorregamentos de vértebra, fraturas e câncer.Ressonância Magnética no caso de suspeita de hérnia e lesão medular.Tomografia Computadorizada é indicada na suspeita de estenose de canal raquidiano, fraturas e tumores ósseos.
Após o seu diagnóstico, você deverá fazer um tratamento multiprofissional de Reabilitação liderado por um médico Fisiatra com interação no tratamento medicamentoso, de reabilitação e alguns procedimentos (acupuntura e infiltração com anestésico) quando necessários. O Fisiatra que prescreve as medicações e determina as terapias que devem ser realizadas como cinesioterapia (fisioterapia com exercícios específicos para os músculos envolvidos), uso de meios físicos para analgesia (Gelo, TENS, Forno de Bier, Infravermelho, Ultrassom, Microondas, Ondas curtas), massagens musculares específicas(Holfing, miofascioterapia, etc…), terapia ocupacional (em casos de mais incapacidade), atividade física adequada (orienta o educador físico) e psicoterapia. Quando há indicação de cirurgia, o Fisiatra encaminha o paciente ao cirurgião e faz um tratamento muscular pré e pós operatório, para melhores resultados cirúrgicos.

Causas e Consequências da Hérnia Discal

As causas mais comuns da Hérnia de Disco são: predisposição genética, envelhecimento, atividades de impacto na coluna (atletas e determinadas atividades profissionais que carregam, levantam muito peso ou com muita vibração), sedentarismo e tabagismo. Acredita-se que estes fatores contribuem para uma degeneração precoce do Disco Intervertebral.
A Hérnia Discal pode migrar para o orifício da medula espinhal, anteriormente e ocasionar uma compressão medular que pode originar perda de força muscular até paralisias. Os músculos acometidos dependem do local desta compressão. Se a Hérnia se localizar em região cervical ou torácica alta o paciente pode ficar até tetraplégico. A compressão da Medula Espinhal pode ser identificada por Dor, perda de força muscular progressiva e alterações de esfincteres (diminuição/ausência do controle urinário ou fecal).

Compressão Medular Cervical

A Hérnia Discal pode migrar lateralmente comprimindo a raiz nervosa da raiz correspondente. Nestes casos, pode haver 3 comprometimentos: Sensitivo, Motor ou Sensitivo-Motor. Quando levar a uma lesão sensitiva, o paciente apresenta formigamentos ou adormecimentos (até a perda total da sensibilidade) e dor intensa, localizada na região que o nervo acometido inerva. No caso da lesão motora o paciente apresenta perda da força muscular progressiva no membro relacionado ao nervo comprimido, podendo chegar até a paralisia.

Hérnia Discal comprimindo a Raiz Nervosa

Eventualmente a Hérnia pode causar uma lesão sensitivo-motora apresentado os sintomas mesclados.
Há muita confusão no diagnóstico porque as pessoas confundem Hérnia com abaulamento e protusão. O diagnóstico da Hérnia Discal é feito através do exame clínico e confirmado pela Ressonância Nuclear Magnética. Na falta deste exame, pode ser observada também pela Tomografia Computadorizada. Estudos mostram que mais de 80% das pessoas com mais de 40 anos tem alterações nos exames de imagem e não apresentam dor. A Eletroneuromiografia é utilizada para o estudo da lesão, avalia se é medular ou da raiz nervosa e ainda caracteriza se é sensitiva, motora ou ambas.

Ressonância Nuclear Magnética com Hérnia Discal Lombar

A Hérnia Discal pode levar a Dor Aguda e Dor Crônica. Para saber qual o seu Diagnóstico, tipo de lesão e melhor tratamento, procure um Médico Fisiatra.

Esporão ou Fasceíte Plantar?

A Fasceíte Plantar é a causa mais comum de dor na planta do pé. Seus outros nomes são: Síndrome da Dor do Calcanhar, Dor do Esporão, Calcanhar de corredor, Dor Subcalcanea, Calcaneodenia e Periosite de calcâneo.
Não é uma manifestação inflamatória e sim, um processo degenerativo.
A fascia plantar é uma “membrana” formada por tecido conjuntivo que se origina no calcanhar e segue até se inserir após o arco do pé, antes da cabeça dos dedos do pé. Assim, contribui na função da corrida e do caminhar. Sua finalidade é promover o suporte do arco longitudinal e serve como um amortecedor dinâmico do choque do pé para a perna.

Fáscia Plantar

CAUSAS:
-Atletas- sobrecarga, erro de treinamento, treinamento em superfícies irregulares, aumento do impacto no treinamento e tênis desgastado.
-Obesidade e sobrepeso- aumento da sobrecarga e impacto nas deambulações.
-Idosos-alterações de envelhecimento nas estruturas do pé.
-Diabéticos- a polineuropatia periférica causada pelo Diabetes leva a uma atrofia muscular, pé cavo, dedo em martelo com alterações no passo.
-Pé plano

SINTOMAS
Dor na sola do pé, na região do calcanhar. Piora nos primeiros passos no despertar de manhã ou depois de um tempo prolongado de atividades de descarga de peso. Após alguns passos e durante o curso do dia, a dor do calcanhar diminui, mas retorna com atividade intensa ou prolongada de descarga de peso.

Fasceíte Plantar

DIAGNÓSTICO

O diagnóstico é feito baseado na historia e exame físico.
A investigação feita por imagem raramente é indicada para avaliação inicial e tratamento, mas pode ser útil em alguns casos para excluir outras causas de dor no calcanhar. O RX simples pode excluir fratura de calcâneo por estresse ou espondiloartropatia. A ultrassonografia e a Ressonância magnética podem evidenciar a fasceíte plantar. Escanometria óssea pode ser útil, mas não é rotineiro.

Ressonância Magnética:Fasceíte Plantar

A Fasceíte Plantar é considerada auto-limitante, ou seja, acredita-se que por volta de 6 a 18 meses haverá melhora dos sintomas. Para isto, é necessário um diagnóstico e tratamento precoce.

TRATAMENTO
-Repouso de atividades que descarreguem peso nos pés,
-Adequação de sapatos,
-Uso de palmilhas,
-Fisioterapia,
-Medicações- antiinflamatórios e nos casos crônicos antidepressivos tricíclicos.
-Acupuntura- resultados controversos.
-Infiltração muscular com lidocaína (anestésico) nos casos crônicos.
-Terapia por Onda de Choque Extracorporal-usa pulsos de alta pressão de ondas sonoras para bombardear o tecido danificado para aliviar a dor.É utilizada como uma alternativa para a cirurgia para aqueles com muito tempo de dor. Não é invasivo e tem uma taxa de sucesso comparada com a cirurgia.

Terapia Por onda de Choque na Fasceíte Plantar

Se você apresenta estes sintomas deve procurar um médico Fisiatra. Este especialista vai fazer o diagnóstico rápido com alívio da dor (através de medicações), orientar o fisioterapeuta e o resto da equipe de reabilitação(nos casos crônicos), prescrever palmilhas (se necessário) e fazer procedimentos quando indicado.
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