Arquivo da tag: Hérnia Discal

Mito da “Dor do Ciático” ou Síndrome do Piriforme?

É muito comum ouvirmos queixas de dor na região lombar ou glúteos irradiadas para a perna como “dor do ciático”. Na maioria das vezes isto é apenas a forma como as pessoas conseguem descrever a localização da sua dor devido ao fato de conhecerem o mito da “Dor do Ciático”.
Para entendermos o que está causando a dor nesta região, precisamos conhecer que é realmente esta “Dor do Ciático”.
O nervo Ciático é o mais longo do corpo humano, ele se estende desde a região lombar (entre a L4 e L5) até o dedão do pé e durante este trajeto atravessa alguns músculos, inclusive um músculo profundo na região glútea, o músculo PIRIFORME (este músculo realiza a rotação lateral da coxa).

Trajeto do  Nervo Ciático

A “Dor do Ciático” é aquela causada por uma compressão de sua raiz nervosa, localizada na região lombar (L4 e L5), na maioria das vezes causada por uma hérnia discal (Não por um abaulamento ou protusão!!!).
Veja a diferença entre hérnia, protusão e abaulamento no Post “Hérnia Discal” e aprenda sobre seus sintomas e tratamento em “Causas e Conseqüências da Hérnia Discal”.
A compressão do nervo ciático pode ser evidenciada pela Eletroneuromigrafia que mostrará uma radiculopatia na região de L4 e L5. Neste caso, podemos chamar de “Dor do Ciático” ou “Ciatalgia”.

Compressão do Nervo Ciático

A SÍNDROME DO PIRIFORME é causada por trauma no local (cair sentado, por exemplo), hiperlordose (nas grávidas principalmente, ver Post “Deformidades na Coluna causam dor?”), em atletas (maratonistas, ciclistas e praticantes de spinning) e hábitos posturais não saudáveis (como ficar muito tempo sentado e dormir em posição fetal). Acontece devido a uma contratura deste músculo (ver Post “Síndrome Dolorosa Miofascial”) que comprime o nervo ciático em seu trajeto na região glútea.

Dormir na posição fetal pode desencadear a Síndrome do Piriforme!!

Os sintomas da Síndrome do Piriforme são dor em região lombar, e/ou sacral, com irradiação para a região póstero-lateral da coxa, podendo se estender até o pé. Esta dor piora com a posição sentada por período prolongado (principalmente quando o paciente cruza as pernas), ou ficar em pé por período prolongado ou ainda, durante uma corrida. Eventualmente os pacientes podem sentir formigamento ou dormência na localização da irradiação da dor. A reprodução da dor pode ser conseguida através de manobras específicas que mimetizam a função deste músculo e através da palpação deste músculo realizada por um especialista.

O nervo ciático passa pelas fibras musculares do músculo piriforme!

A Síndrome do Piriforme deve ser avaliada por um médico Fisiatra, pois pode ser confundida com outras patologias como a hérnia de disco, tumor em coluna ou pélvico, artrose de quadril e até mesmo fratura de colo de fêmur (Veja no Post “Síndrome Dolorosa Miofascial” seus sintomas, causas e tratamento).
O tratamento da Síndrome do Piriforme é feito com o diagnóstico correto dos músculos acometidos (eventualmente outros músculos podem apresentar Síndrome Dolorosa Miofascial concomitante), prescrição do tratamento medicamentoso (que depende do tempo de duração da dor, se ela é aguda ou crônica) e do tratamento de reabilitação que será realizado inicialmente com fisioterapia (através de analgesia com meios físicos, cinesioterapia e miofascioterapia), orientações ergonômicas, reeducação postural e posteriormente com exercícios físicos prescritos pelo médico Fisiatra. Em casos mais rebeldes, pode ser necessária a infiltração com lidocaína (anestésico local) no músculo para melhora do sintoma doloroso e facilitar o tratamento de reabilitação.

Alongamento  do músculo Piriforme e glúteos

Se você apresenta sintomas semelhantes aos acima descritos, procure um médico Fisiatra que pode diagnosticar precisamente os músculos envolvidos na dor, descartar outras patologias e orientar o tratamento de reabilitação e de prevenção de recorrência das dores.

Será que eu tenho uma LER?

A LER (lesão por esforço repetitivo) ou DORT (Distúrbio Osteomuscular Relacionado ao Trabalho) é um conjunto de alterações nos músculos, tendões, articulações, nervos, vasos sangüíneos e até na pele relacionadas às atividades laborais. A LER está relacionada à dor e incapacidade funcional.
As principais síndromes (conjuntos de sinais e sintomas) clínicas são:
• Cervicalgias- são as dores na região cervical. Na maioria dos casos ocorrem devido à sobrecarga na musculatura desta região, posturas inadequadas por um longo período e estresse. (Ver Post “Síndrome Dolorosa Miofascial”). Eventualmente, alguns indivíduos apresentam hérnia cervical, ocorrendo em idade não comum e relacionada a atividades com muito esforço físico na região. (Ver Post “A Hérnia Discal”). Quando a dor da região cervical irradia para um dos braços é chamada de CERVICOBRAQUIALGIA.

Cervicalgia

• Tendinopatias- podem acontecer na região do ombro (supraespinhoso, bicipital), do cotovelo (epicondilites) e nos punhos (tenossinovite de Quervain). Quando existe inflamação é chamado de tendinite e sugere acometimento muscular além dos tendões. As tendinites e as tenossinovites acontecem devido a um aumento da tensão muscular, que aumentam o estresse na inserção e origem destas estruturas levando a uma diminuição da oferta de oxigênio e inflamação crônica (para você saber um pouco mais de anatomia e entender como isto acontece leia na página “Anatomia Locomotora”). As tendinopatias são causadas por exercícios excessivos, posturas viciosas, traumas no local e atividades repetitivas prolongadas com intervalos muito curtos, insuficientes para o repouso muscular.

Postura inadequada no computador

• Lesões do Manguito Rotador- causam dor nos ombros principalmente na abdução (afastar o braço lateralmente do corpo), rotação externa e elevação do braço. Esta dor pode irradiar para a região escapular (osso que parece uma pá nas costas) e braços. Há perda de função e pode até acontecer a capsulite adesiva (ombro congelado) ou a Síndrome Complexa de Dor Regional). É mais freqüente em trabalhadores de linha de montagem e naqueles que trabalham com o braço levantado acima da cabeça.

Linha de Montagem com braço elevado

• Flexores e Extensores dos Dedos- As tendinites e tenossinovites desta região são originadas por esforços repetitivos das mãos associadas à preensão com força.
•Epicondilites- são conseqüência de atividades repetitivas com força de punho e antebraço.

Epicôndilo medial e lateral

• Tendinite de Quervain- é conseqüência dos movimentos em que há desvio lateral do punho, muito comum com o uso de tesouras, alicates e torção de roupas.

Uso de tesoura pode ocasionar LER

• Síndrome dolorosa Miofascial – ver Post “Síndrome Dolorosa Miofascial”.
• Neuropatias Periféricas- na maioria das vezes são decorrentes de compressão de nervos. As mais comuns são:
1. Síndrome do Desfiladeiro Torácico- caracterizada por formigamentos, diminuição da sensibilidade, diminuição da força, músculos atrofiados, dor em ombro e braços e alteração de temperatura, cor e suor no braço acometido. Mais comum em trabalhadores que fazem transporte de carga pesada nos ombros ou trabalho com a cabeça elevada.
2- Síndrome do Pronador Redondo- dor espontânea na região do cotovelo e nos 3 primeiros dedos (polegar, indicador e anular). Ocorre em movimentos de giratórios do antebraço (parafusar por exemplo) e em indivíduos que fazem musculação sem orientação adequada.
3. Síndrome do Túnel do Carpo- dor, formigamento e até diminuição da força dos dedos da mão. Freqüente em indivíduos que digitam mal posicionados. (Em breve teremos um novo Post sobre Síndrome do Túnel do Carpo)
4. Distrofia Simpático Reflexa ou Síndrome Complexa de Dor Regional ou Causalgia- dor em caráter de queimação, latejamento, peso, choque, de grande intensidade, com diminuição de força, inchaço, suor excessivo, atrofia muscular e da pele e alteração de unhas e pêlos no local.

Distrofia Simpático Reflexa da Mão

TRATAMENTO DA LER
O Tratamento da LER é complexo e visa a readaptação do indivíduo às atividades profissionais.
Deve-se levar em consideração o fator causal e corrigi-lo através de medidas preventivas, terapêuticas e de remodelação do ambiente de trabalho.
A Reabilitação é tão essencial quanto o tratamento medicamentoso e integra a cinesioterapia (terapia através de exercícios específicos), acupuntura, uso de órteses quando necessário, terapia ocupacional (orienta a readaptação do ambiente e como praticar as atividades profissionais), ergonomia (correção de posturas inadequadas) e a Psicoterapia (essencial nos casos crônicos). Os programas educativos cognitivo–comportamentais apresentam resultados animadores.
A LER pode ocasionar dor crônica com incapacidade laboral e afetar sono, auto-estima, apetite, lazer, relacionamento com amigos e familiares. Por isso,o Médico Fisiatra deve considerar todas estas questões no tratamento de reabilitação, assim como os fatores perpetuantes e agravantes da dor.

Para saber se sua dor é uma LER, você deve procurar um Médico do Trabalho ou um Perito, que irá relacionar os sintomas e as alterações apresentadas com a sua atividade profissional. Uma vez diagnosticada a LER, o tratamento deve ser orientado por um Médico Fisiatra que vai indicar o melhor tratamento medicamentoso e de reabilitação conforme o caso. Este tratamento de reabilitação deve ser multiprofissional e visa melhora da qualidade de vida, melhora dos sintomas, readaptação e reabilitação social e profissional.

Você tem Lombalgia Crônica?

A Lombalgia é a dor na região lombar da coluna vertebral.
Cerca de 90% da população vai apresentar pelo menos um episódio de dor lombar em sua vida. É um sintoma e não uma doença.
Nos países desenvolvidos é a principal causa de incapacidade em menores de 45 anos.
Acomete igualmente homens e mulheres. Com o passar dos tempos as mulheres começaram a sentir mais dor lombar devido à menopausa (parada do ciclo menstrual) e suas conseqüências como a Osteoporose (perda de cálcio no osso associado com alteração na arquitetura do osso).
É a segunda causa de procura de atendimentos médicos em decorrência de doenças crônicas. Seus números de faltas ao trabalho ultrapassam o câncer, o AVC (Acidente Vascular Cerebral) e a AIDS (Síndrome da Imunodeficiência Adquirida) na idade produtiva. Trata-se de um problema Médico e Econômico por seus elevados custos sociais: assistência médica, faltas no trabalho, diminuição da produtividade e do número de tarefas cotidianas, substituição de suas atividades por terceiros e afastamento do trabalho (temporário ou definitivo).

Dor em região lombar da coluna vertebral

A notícia boa é que a lombalgia é auto limitada, ou seja, o sintoma passa em 90% da população até a sétima semana após o aparecimento. Metade destes pacientes vai apresentar novo sintoma após um ano. Sabe-se atualmente que até 45% cronificam a dor.
APENAS 3% DOS CASOS DE LOMBALGIA NECESSITAM DE CIRURGIA.

Quem tem mais probabilidade de ter Lombalgia Crônica?
Os principais fatores de risco são:
1. Deformidades Posturais- na coluna (escoliose, cifose, hiperlordose) e em outros locais como nas pernas, ou tronco e cinturas deproporcionais
2. Sedentarismo
3. Obesidade
4. Doenças neuromusculares
5. Cirurgia lombar anterior
6. Doenças psiquiátricas
7. Problemas econômicos sociais.

Quais são as causas da Lombalgia?
Em 85% dos casos são devido a Síndrome Dolorosa Miofascial. Veja o post da Síndrome Dolorosa Miofascial.
Os outros 15% correspondem a doenças orgânicas específicas, doença inflamatória na coluna (doenças reumáticas como a artrose, lúpus e artrite reumatóide), câncer, hérnia discal (Veja o Post A Hérnia Discal), estenose do canal raquidiano (diminuição do canal por onde passa a medula espinhal- veja sobre a anatomia da coluna vertebral no post A Hérnia Discal), instabilidade das vértebras (devido a algum trauma) e infecções.
Estenose do canal lombar

Eu tenho Lombalgia o que devo fazer?
Procure um médico especialista em dor para fazer uma avaliação clínica e solicitar exames que sejam necessários para um diagnóstico correto. Na maioria das vezes são feitos Raio X (para avaliação de deformidades, sinais de osteoartrose, escorregamentos de vértebra, fraturas e câncer.Ressonância Magnética no caso de suspeita de hérnia e lesão medular.Tomografia Computadorizada é indicada na suspeita de estenose de canal raquidiano, fraturas e tumores ósseos.
Após o seu diagnóstico, você deverá fazer um tratamento multiprofissional de Reabilitação liderado por um médico Fisiatra com interação no tratamento medicamentoso, de reabilitação e alguns procedimentos (acupuntura e infiltração com anestésico) quando necessários. O Fisiatra que prescreve as medicações e determina as terapias que devem ser realizadas como cinesioterapia (fisioterapia com exercícios específicos para os músculos envolvidos), uso de meios físicos para analgesia (Gelo, TENS, Forno de Bier, Infravermelho, Ultrassom, Microondas, Ondas curtas), massagens musculares específicas(Holfing, miofascioterapia, etc…), terapia ocupacional (em casos de mais incapacidade), atividade física adequada (orienta o educador físico) e psicoterapia. Quando há indicação de cirurgia, o Fisiatra encaminha o paciente ao cirurgião e faz um tratamento muscular pré e pós operatório, para melhores resultados cirúrgicos.

Causas e Consequências da Hérnia Discal

As causas mais comuns da Hérnia de Disco são: predisposição genética, envelhecimento, atividades de impacto na coluna (atletas e determinadas atividades profissionais que carregam, levantam muito peso ou com muita vibração), sedentarismo e tabagismo. Acredita-se que estes fatores contribuem para uma degeneração precoce do Disco Intervertebral.
A Hérnia Discal pode migrar para o orifício da medula espinhal, anteriormente e ocasionar uma compressão medular que pode originar perda de força muscular até paralisias. Os músculos acometidos dependem do local desta compressão. Se a Hérnia se localizar em região cervical ou torácica alta o paciente pode ficar até tetraplégico. A compressão da Medula Espinhal pode ser identificada por Dor, perda de força muscular progressiva e alterações de esfincteres (diminuição/ausência do controle urinário ou fecal).

Compressão Medular Cervical

A Hérnia Discal pode migrar lateralmente comprimindo a raiz nervosa da raiz correspondente. Nestes casos, pode haver 3 comprometimentos: Sensitivo, Motor ou Sensitivo-Motor. Quando levar a uma lesão sensitiva, o paciente apresenta formigamentos ou adormecimentos (até a perda total da sensibilidade) e dor intensa, localizada na região que o nervo acometido inerva. No caso da lesão motora o paciente apresenta perda da força muscular progressiva no membro relacionado ao nervo comprimido, podendo chegar até a paralisia.

Hérnia Discal comprimindo a Raiz Nervosa

Eventualmente a Hérnia pode causar uma lesão sensitivo-motora apresentado os sintomas mesclados.
Há muita confusão no diagnóstico porque as pessoas confundem Hérnia com abaulamento e protusão. O diagnóstico da Hérnia Discal é feito através do exame clínico e confirmado pela Ressonância Nuclear Magnética. Na falta deste exame, pode ser observada também pela Tomografia Computadorizada. Estudos mostram que mais de 80% das pessoas com mais de 40 anos tem alterações nos exames de imagem e não apresentam dor. A Eletroneuromiografia é utilizada para o estudo da lesão, avalia se é medular ou da raiz nervosa e ainda caracteriza se é sensitiva, motora ou ambas.

Ressonância Nuclear Magnética com Hérnia Discal Lombar

A Hérnia Discal pode levar a Dor Aguda e Dor Crônica. Para saber qual o seu Diagnóstico, tipo de lesão e melhor tratamento, procure um Médico Fisiatra.

Hérnia Discal

A coluna vertebral é composta por ossos chamados de vértebras, estas vértebras possuem um espaço como se fosse um furo e quando estão agrupadas na coluna, estes furos formam um canal onde passa a medula espinhal ou nervosa. Esta medula, formada por tecido nervoso, dividi-se em ramos que saem pela lateral da vértebra e formam os Nervos.
Vértebras Lombares, Medula espinhal e ramos nervosos
A coluna vertebral pode ser dividida em: cervical, torácica e lombar. Entre cada uma das vértebras há um tipo específico de cartilagem que diminui o impacto entre as mesmas por ser elástico, chamado Disco Intervertebral. O disco possui uma área central gelatinosa (núcleo pulposo) circundada por um anel fibroso, que mantém esse núcleo no seu interior. O núcleo tem aspecto semelhante a uma gelatina e age como um amortecedor.
Disco Intervertebral- Anel Fibroso(azul) e Núcleo Pulposo(branco)
O Anel Fibroso pode ser rompido e extravasar o Núcleo Pulposo. Antes disso, o Disco Intervertebral pode sofrer alterações em sua forma devido à pressão do Núcleo Pulposo sobre o Anel Fibroso. A primeira forma é o ABAULAMENTO, um pouco maior é chamada de PROTUSÃO e quando forma uma “minhoca” é a famosa HÉRNIA DISCAL(Hérnia de Disco). Quando a Hérnia Discal atravessa os limites da vértebra é chamada de Hérnia Extrusa.
1-Disco Intervertebral Normal, 2-Protusão, 3-Hérnia, 4-Hérnia Extrusa