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Torcicolo ou Cervicalgia?

A dor na região cervical da coluna é chamada de cervicalgia. Quando acontece de maneira transitória é popularmente conhecida como torcicolo. Cerca de 30% da população mundial apresentará cervicalgia no decorrer da vida. No Brasil, acredita-se que 55% da população terão estes sintomas, sendo que destes, 12% das mulheres e 9% dos homens terão cervicalgia crônica.
O torcicolo é a cervicalgia aguda e na maioria das vezes autolimitada, ou seja, os sintomas desaparecem sozinhos por volta de uma semana. Geralmente causado por uma noite mal dormida. Quando os sintomas persistem, é denominada cervicalgia e deve receber uma maior atenção.

Lula com torcicolo

A cervicalgia se instala de maneira insidiosa, ou seja, os sintomas se intensificam vagarosamente. Estes sintomas são: diminuição da amplitude de movimento(pescoço se movimenta menos), postura antiálgica(o paciente adota uma postura de defesa para diminuir a dor), dor que piora com movimentos e com palpação muscular e a rigidez muscular.

Postura de anteriorização e retificação na Cervicalgia

As causas mais comuns de cervicalgia:
-Síndrome Dolorosa Miofascial-é a mais comum, posturas viciosas e o estresse são as causas mais freqüentes. (Ver Post “Síndrome Dolorosa Miofascial”)
-Osteoartrose- a alteração degenerativa das articulações causada pelo envelhecimento pode levar à deformidades da coluna cervical provocando dor (Ver post “Artrose é doença de idosos?” e “Tratamento da artrose”)
-Traumáticas- a mais comum é a Síndrome do Chicote que acontece nos acidentes automobilísticos.
-Fraturas
-Inflamatórias- devido a doenças reumatológicas como artrite reumatóide, Lupus, espondilite anquilosante,etc…
-Infecciosas-meningite, caxumba,abscessos, etc…
- Disfunção da articulação temporo-mandibular (ATM)
-Metabólicas- osteoporose com fratura (ver Post “Osteoporose dói?”)
-Tumores locais ou metastáticos
-Congênito- devido a alterações musculares congênitas.
-Estenose do Canal Vertebral- diminuição do canal vertebral, no qual se encontra a medula, devido a processo degerativo.
-Hérnia discal- desencadeará dor em região cervical com irradiação para os braços, associado a formigamentos, perda de força e sensibilidade (Ver post “A Hérnia Discal” e “Causas e Consequências da Hérnia Discal”).
Radiculopatia cervical devido à hérnia

Como é feito o diagnóstico?
O diagnóstico é feito através de uma boa avaliação clínica do paciente associada a exames que podem auxiliar tanto no diagnóstico como no tratamento da Cervicalgia.
Os exames mais utilizados, conforme a necessidade de cada caso, são: RX de Coluna cervical e panorâmico, Tomografia computadorizada, ressonância magnética, eletroneuromiografia e até termografia.

Termografia com dor cervical e lateral da cabeça por disfunção de ATM

Qual o tratamento mais indicado?
Nos casos dos torcicolos que persistem por até uma semana, indica-se o uso de antiinflamatórios e relaxantes musculares, calor local (pode ser com uma bolsa de água quente) e retirada dos fatores desencadeantes da dor.Exercícios de alongamento regulares são benéficos para a prevenção da recorrência do torcicolo.
Nos casos de cervicalgia crônica, são utilizadas medicações para dor crônica, associada a um programa de reabilitação que visa melhora dos sintomas e prevenção da recorrência dos sintomas.
Raros são os casos cirúrgicos.

Você tem dor no pescoço e já fez tratamento sem resultados? Procure um Médico Fisiatra para uma avaliação, diagnóstico e indicação do melhor tratamento medicamentoso e de reabilitação para o seu caso!

Mito da “Dor do Ciático” ou Síndrome do Piriforme?

É muito comum ouvirmos queixas de dor na região lombar ou glúteos irradiadas para a perna como “dor do ciático”. Na maioria das vezes isto é apenas a forma como as pessoas conseguem descrever a localização da sua dor devido ao fato de conhecerem o mito da “Dor do Ciático”.
Para entendermos o que está causando a dor nesta região, precisamos conhecer que é realmente esta “Dor do Ciático”.
O nervo Ciático é o mais longo do corpo humano, ele se estende desde a região lombar (entre a L4 e L5) até o dedão do pé e durante este trajeto atravessa alguns músculos, inclusive um músculo profundo na região glútea, o músculo PIRIFORME (este músculo realiza a rotação lateral da coxa).

Trajeto do  Nervo Ciático

A “Dor do Ciático” é aquela causada por uma compressão de sua raiz nervosa, localizada na região lombar (L4 e L5), na maioria das vezes causada por uma hérnia discal (Não por um abaulamento ou protusão!!!).
Veja a diferença entre hérnia, protusão e abaulamento no Post “Hérnia Discal” e aprenda sobre seus sintomas e tratamento em “Causas e Conseqüências da Hérnia Discal”.
A compressão do nervo ciático pode ser evidenciada pela Eletroneuromigrafia que mostrará uma radiculopatia na região de L4 e L5. Neste caso, podemos chamar de “Dor do Ciático” ou “Ciatalgia”.

Compressão do Nervo Ciático

A SÍNDROME DO PIRIFORME é causada por trauma no local (cair sentado, por exemplo), hiperlordose (nas grávidas principalmente, ver Post “Deformidades na Coluna causam dor?”), em atletas (maratonistas, ciclistas e praticantes de spinning) e hábitos posturais não saudáveis (como ficar muito tempo sentado e dormir em posição fetal). Acontece devido a uma contratura deste músculo (ver Post “Síndrome Dolorosa Miofascial”) que comprime o nervo ciático em seu trajeto na região glútea.

Dormir na posição fetal pode desencadear a Síndrome do Piriforme!!

Os sintomas da Síndrome do Piriforme são dor em região lombar, e/ou sacral, com irradiação para a região póstero-lateral da coxa, podendo se estender até o pé. Esta dor piora com a posição sentada por período prolongado (principalmente quando o paciente cruza as pernas), ou ficar em pé por período prolongado ou ainda, durante uma corrida. Eventualmente os pacientes podem sentir formigamento ou dormência na localização da irradiação da dor. A reprodução da dor pode ser conseguida através de manobras específicas que mimetizam a função deste músculo e através da palpação deste músculo realizada por um especialista.

O nervo ciático passa pelas fibras musculares do músculo piriforme!

A Síndrome do Piriforme deve ser avaliada por um médico Fisiatra, pois pode ser confundida com outras patologias como a hérnia de disco, tumor em coluna ou pélvico, artrose de quadril e até mesmo fratura de colo de fêmur (Veja no Post “Síndrome Dolorosa Miofascial” seus sintomas, causas e tratamento).
O tratamento da Síndrome do Piriforme é feito com o diagnóstico correto dos músculos acometidos (eventualmente outros músculos podem apresentar Síndrome Dolorosa Miofascial concomitante), prescrição do tratamento medicamentoso (que depende do tempo de duração da dor, se ela é aguda ou crônica) e do tratamento de reabilitação que será realizado inicialmente com fisioterapia (através de analgesia com meios físicos, cinesioterapia e miofascioterapia), orientações ergonômicas, reeducação postural e posteriormente com exercícios físicos prescritos pelo médico Fisiatra. Em casos mais rebeldes, pode ser necessária a infiltração com lidocaína (anestésico local) no músculo para melhora do sintoma doloroso e facilitar o tratamento de reabilitação.

Alongamento  do músculo Piriforme e glúteos

Se você apresenta sintomas semelhantes aos acima descritos, procure um médico Fisiatra que pode diagnosticar precisamente os músculos envolvidos na dor, descartar outras patologias e orientar o tratamento de reabilitação e de prevenção de recorrência das dores.

Deformidades na Coluna causam dor?

A nossa coluna vertebral é constituída por ossos chamados vértebras alinhados e sobrepostos. Ela é dividida em 4 regiões: cervical, torácica(ou dorsal), lombar e sacrococcígea. São 7 vértebras cervicais, 12 torácicas, 5 lombares, 5 sacrais e cerca de 4 coccígeas.

A Coluna Vertebral humana

Ao observar a coluna lateralmente (de perfil), ela apresenta algumas curvaturas que são consideradas fisiológicas (normais). São elas:
• Cervical- há uma curvatura convexa para frente, chamada de Lordose Cervical.
• Torácica ou Dorsal- há uma curvatura côncava para frente, chamada de Cifose Torácica.
• Lombar- há uma curvatura convexa para frente, chamada de Lordose Lombar.
• Sacrococcígea- há uma curvatura côncava para frente, chamada de Cifose Sacral.

Curvaturas Fisiológicas da Coluna Vertebral Humana

Quando uma destas curvaturas está aumentada, chamamos de Hipercifose (região dorsal e pélvica) ou Hiperlordose (região cervical e lombar). A hipercifose na região dorsal ou torácica é a famosa “Corcunda de Notredame”e a hiperlordose na região lombar é a famosa “Tanajura”.
Em uma vista anterior ou posterior, a coluna vertebral não apresenta nenhuma curvatura. Quando ocorre alguma curvatura neste plano chamamos de Escoliose,ou seja, é uma alteração na curvatura normal da coluna.

Corcunda de Notredame

A Escoliose é a deformidade na coluna mais comum. A idiopática (sem causa aparente) é a forma mais freqüente e pode ocorrer em todas as idades (crianças até idosos). Outras causas de escoliose são:
-congênita (devido a anormalidades ósseas estruturais),
-doenças neuromusculares (atrofia muscular espinhal, mielomeningocele),
-miopáticas (artrogripose, distrofias musculares, hipotonia congênita e miotonia distrófica),
-neurofibromatose,
-mesenquimal (Síndrome de Marfan, homocistinúria, Síndrome de Ehlers Danlos),
-traumática,
-tumores,
-osteocondrodisplasias (acondroplasia, nanismo, mucopolissacaridoses),
-metabólica (raquitismo, osteogênese imperfecta),
-neuropática (lesão medular ou cerebral, radiculopatias e neuropatias periféricas),
-postural e
-diferença entre o comprimento das pernas.
O grau do ângulo de curvatura da escoliose é importante para determinarmos o tratamento que deverá ser prescrito para o paciente.
Em geral preconiza-se que curvas menores de 10 graus somente necessitam observação e prática de atividade física bem orientada.Curvas de até 20 graus necessitam observação, de 20 a 40 graus as curvas entram na etapa de tratamento, com colete, fisioterapia e exercícios. Curvas acima de 40 graus passam a ter indicação cirúrgica a ser avaliada pela equipe médica. Na presença de curvas de mais de 60 graus, ocorre comprometimento da função cardiopulmonar, podendo haver uma doença pulmonar restritiva secundária em conseqüência da deformidade torácica (dificuldade de respirar e muito cansaço ao realizar atividades). A progressão da curva é mais comum durante o crescimento contínuo do esqueleto, contudo, sabe-se que curvas moderadas, de 40 a 50 graus podem ter progressão na vida adulta, em média de 1 a 2 graus ao ano.
Devemos lembrar dos riscos de aumento desta deformidade:
-curvas duplas e torácicas.
-idade menor, risco maior.
-pré menarca (meninas que ainda não menstruaram).
-sexo feminino.
-grau da curva alto na descoberta.
-osteoporose associada.
-doença neuromuscular associada.

Escoliose

A Cifose torácica normal varia de 25 a 45 graus . O aumento da Cifose torácica ou dorsal pode ter diversas causas:
• Congênita- falha na formação e estruturação óssea.
• Postural
• Doença de Scheuermann- cifoses dorsais acima de 45 graus acompanhadas de dor, em crianças por volta dos 10 anos de idade. A confirmação do diagnóstico se dá através de raio X que mostram anormalidades do crescimento de placas terminais de pelo menos três corpos vertebrais maiores de 5 graus em relação ao seu acunhamento. É uma cifose abrupta e fixa, geralmente acompanhada de dor.
• Mielomeningocele
• Tumor
• Trauma
• Doenças inflamatórias
• Doenças metabólicas

O tratamento da hipercifose é feito com reabilitação e reeducação postural. No caso da Doença de Scheuermann pode ser necessário o uso de colete OTLS (occipto-tóraco-lombo-sacro) quando ainda restam pelo menos dois anos de potencial de crescimento esquelético associado a programa de exercícios posturais.

Colete OTLS

A Hiperlordose Lombar causa um desequílibrio mecânico na coluna, sendo um dos principais responsáveis pela dor nesta região.
É atribuída a algumas causas, são elas:
• Postural
• Paralisias
• Congênita
• Flexão dos quadris
Os músculos abdominais fracos e um abdome protuberante são fatores de risco para a hiperlordose.
Caracteristicamente, a dor nas costas em pessoas com aumento da lordose lombar ocorre durante as atividades que envolvem a extensão da coluna lombar, tal como o ficar em pé por muito tempo (que tende a acentuar a lordose). A flexão do tronco usualmente alivia a dor, de modo que a pessoa frequentemente prefere sentar ou deitar.

A dor lombar nas costas da mulher grávida é causada principalmente pelo aumento da Lordose Lombar que aparece devido ao aumento da barriga. Este aumento desvia para frente o centro de gravidade da coluna e esta postura sobrecarrega músculos, ligamentos e discos.

Hiperlordose da mulher grávida

As deformidades na coluna vertebral podem estar relacionadas à dor devido a uma alteração postural que elas desencadeiam, originando a Síndrome Dolorosa Miofascial (Ver post “Síndrome Dolorosa Miofascial”) e algumas causas destas deformidades podem agravar a intensidade da dor.

Se você apresenta alterações na coluna vertebral, faça uma avaliação com um médico Fisiatra para ter um diagnóstico e uma prescrição de tratamento de reabilitação visando melhora da postura, da dor (controle e prevenção) e do seu condicionamento físico.

Será que eu tenho uma LER?

A LER (lesão por esforço repetitivo) ou DORT (Distúrbio Osteomuscular Relacionado ao Trabalho) é um conjunto de alterações nos músculos, tendões, articulações, nervos, vasos sangüíneos e até na pele relacionadas às atividades laborais. A LER está relacionada à dor e incapacidade funcional.
As principais síndromes (conjuntos de sinais e sintomas) clínicas são:
• Cervicalgias- são as dores na região cervical. Na maioria dos casos ocorrem devido à sobrecarga na musculatura desta região, posturas inadequadas por um longo período e estresse. (Ver Post “Síndrome Dolorosa Miofascial”). Eventualmente, alguns indivíduos apresentam hérnia cervical, ocorrendo em idade não comum e relacionada a atividades com muito esforço físico na região. (Ver Post “A Hérnia Discal”). Quando a dor da região cervical irradia para um dos braços é chamada de CERVICOBRAQUIALGIA.

Cervicalgia

• Tendinopatias- podem acontecer na região do ombro (supraespinhoso, bicipital), do cotovelo (epicondilites) e nos punhos (tenossinovite de Quervain). Quando existe inflamação é chamado de tendinite e sugere acometimento muscular além dos tendões. As tendinites e as tenossinovites acontecem devido a um aumento da tensão muscular, que aumentam o estresse na inserção e origem destas estruturas levando a uma diminuição da oferta de oxigênio e inflamação crônica (para você saber um pouco mais de anatomia e entender como isto acontece leia na página “Anatomia Locomotora”). As tendinopatias são causadas por exercícios excessivos, posturas viciosas, traumas no local e atividades repetitivas prolongadas com intervalos muito curtos, insuficientes para o repouso muscular.

Postura inadequada no computador

• Lesões do Manguito Rotador- causam dor nos ombros principalmente na abdução (afastar o braço lateralmente do corpo), rotação externa e elevação do braço. Esta dor pode irradiar para a região escapular (osso que parece uma pá nas costas) e braços. Há perda de função e pode até acontecer a capsulite adesiva (ombro congelado) ou a Síndrome Complexa de Dor Regional). É mais freqüente em trabalhadores de linha de montagem e naqueles que trabalham com o braço levantado acima da cabeça.

Linha de Montagem com braço elevado

• Flexores e Extensores dos Dedos- As tendinites e tenossinovites desta região são originadas por esforços repetitivos das mãos associadas à preensão com força.
•Epicondilites- são conseqüência de atividades repetitivas com força de punho e antebraço.

Epicôndilo medial e lateral

• Tendinite de Quervain- é conseqüência dos movimentos em que há desvio lateral do punho, muito comum com o uso de tesouras, alicates e torção de roupas.

Uso de tesoura pode ocasionar LER

• Síndrome dolorosa Miofascial – ver Post “Síndrome Dolorosa Miofascial”.
• Neuropatias Periféricas- na maioria das vezes são decorrentes de compressão de nervos. As mais comuns são:
1. Síndrome do Desfiladeiro Torácico- caracterizada por formigamentos, diminuição da sensibilidade, diminuição da força, músculos atrofiados, dor em ombro e braços e alteração de temperatura, cor e suor no braço acometido. Mais comum em trabalhadores que fazem transporte de carga pesada nos ombros ou trabalho com a cabeça elevada.
2- Síndrome do Pronador Redondo- dor espontânea na região do cotovelo e nos 3 primeiros dedos (polegar, indicador e anular). Ocorre em movimentos de giratórios do antebraço (parafusar por exemplo) e em indivíduos que fazem musculação sem orientação adequada.
3. Síndrome do Túnel do Carpo- dor, formigamento e até diminuição da força dos dedos da mão. Freqüente em indivíduos que digitam mal posicionados. (Em breve teremos um novo Post sobre Síndrome do Túnel do Carpo)
4. Distrofia Simpático Reflexa ou Síndrome Complexa de Dor Regional ou Causalgia- dor em caráter de queimação, latejamento, peso, choque, de grande intensidade, com diminuição de força, inchaço, suor excessivo, atrofia muscular e da pele e alteração de unhas e pêlos no local.

Distrofia Simpático Reflexa da Mão

TRATAMENTO DA LER
O Tratamento da LER é complexo e visa a readaptação do indivíduo às atividades profissionais.
Deve-se levar em consideração o fator causal e corrigi-lo através de medidas preventivas, terapêuticas e de remodelação do ambiente de trabalho.
A Reabilitação é tão essencial quanto o tratamento medicamentoso e integra a cinesioterapia (terapia através de exercícios específicos), acupuntura, uso de órteses quando necessário, terapia ocupacional (orienta a readaptação do ambiente e como praticar as atividades profissionais), ergonomia (correção de posturas inadequadas) e a Psicoterapia (essencial nos casos crônicos). Os programas educativos cognitivo–comportamentais apresentam resultados animadores.
A LER pode ocasionar dor crônica com incapacidade laboral e afetar sono, auto-estima, apetite, lazer, relacionamento com amigos e familiares. Por isso,o Médico Fisiatra deve considerar todas estas questões no tratamento de reabilitação, assim como os fatores perpetuantes e agravantes da dor.

Para saber se sua dor é uma LER, você deve procurar um Médico do Trabalho ou um Perito, que irá relacionar os sintomas e as alterações apresentadas com a sua atividade profissional. Uma vez diagnosticada a LER, o tratamento deve ser orientado por um Médico Fisiatra que vai indicar o melhor tratamento medicamentoso e de reabilitação conforme o caso. Este tratamento de reabilitação deve ser multiprofissional e visa melhora da qualidade de vida, melhora dos sintomas, readaptação e reabilitação social e profissional.

Osteoporose dói?

Antes de respondermos esta pergunta, precisamos entender como funciona o tecido ósseo.
O osso possui três tipos de células:
-Osteoblasto- células novas que formam a estrutura óssea.
-Osteócito- células maduras que regulam a quantidade de minerais (Cálcio) no tecido ósseo.
-Osteoclasto- reabsorvem as células “gastas e velhas”.
O osso saudável apresenta equilíbrio entre estas células e consegue manter sua estrutura forte para absorver impacto e a carga que nosso corpo necessita para realizar suas funções.

O osso e suas estruturas

Existem alguns fatores de risco que podem alterar o equilíbrio das células ósseas e levar a uma alteração em sua estrutura:
• Raça branca
• Histórico familiar de osteoporose
• Vida sedentária
• Baixa ingestão de cálcio e/ou vitamina D
• Menopausa – mulher para de produzir o estrógeno, que é um hormônio que auxilia na captação do Cálcio
• Tabagismo ou alcoolismo
• Pessoa magra ou com baixa estatura
• Fratura sem trauma prévia
• Uso de medicamentos por período prolongado: anticonvulsivantes, hormônio tireoideano, corticóides e anticoagulantes.
• Doenças como hepatopatia crônica, doença de Cushing, diabetes mellitus, hiperparatireoidismo, linfoma, leucemia, má-absorção, gastrectomia, doenças nutricionais, mieloma, artrite reumatóide e sarcoidose.

Quando as alterações atingem somente a função dos osteócitos e leva a uma diminuição na quantidade de Cálcio do Osso, recebe o nome de OSTEOPENIA. A osteopenia não é doença e pode ser corrigida. Se permanecer por longo período, pode evoluir para a OSTEOPOROSE.

Osteoporose é a alteração da estrutura óssea, a arquitetura do osso fica mais frágil e propensa a fraturas.

Osteoporose

Sabe-se que 10 milhões de brasileiros sofrem de osteoporose. De cada 3 em cada 4 doentes são do sexo feminino.
Uma em cada 3 mulheres com mais de 50 anos tem a doença. 75% dos diagnósticos são feitos somente após a primeira fratura.
No Brasil há 2,4 milhões de fraturas decorrentes da osteoporose ocorrem anualmente. Devido a estas fraturas 200.000 pessoas morrem todos os anos em nosso país.

Homem pode ter Osteoporose?

Sim, os homens a partir de 70 anos são susceptíveis a desenvolver osteoporose. Eventualmente pode acontecer antes desta idade quando associado a um fator de risco descrito acima.

Osteoporose dói?

Por si só, a osteoporose não ocasiona dor, mas quando existem fraturas ou alteração postural significativa pode causar dor.
As fraturas mais comuns são nas vértebras da coluna, no fêmur e no punho.

Fratura vertebral na osteoporose

Fratura de fêmur devido a osteoporose

Fratura de punho (Colles) devido a osteoporose

A osteoporose de longa data proporciona uma alteração postural na coluna vertebral. Há o “acunhamento” da vértebra, ou seja, a estrutura deste osso fica deformada, sendo chamada de vértebra de ‘peixe’, com a borda anterior menor que a posterior levando a uma cifose, a “Corcunda do Notredame”. Estas alterações posturais podem levar a uma Síndrome Dolorosa Miofascial (veja mais no Post correspondente).

Progressão da Cifose na osteoporose

Como diagnosticar a Osteoporose?

Após a identificação dos fatores de risco, deve ser solicitado a DENSITOMETRIA ÓSSEA. Através deste exame, o médico poderá instituir o melhor tratamento para o paciente.

Densitometria Óssea do fêmur

Como tratar a Osteoporose?

Muitas vezes a Densitometria Óssea acusa Osteopenia que deve ser tratada para a prevenção da Osteoporose. Nestes casos, o paciente deve instituir o tratamento preventivo da Osteoporose que será descrito a seguir e tomar Cálcio e Vitamina D.
O tratamento da osteoporose é feito com visitas periódicas ao médico. O uso de Cácio e Vitamina D são associados com medicamentos que são chamados bifosfonatos (alendronato, risedronato, ibandronato e raloxifeno) que auxiliam na remodelação óssea e impedem a progressão da fragilidade óssea. No caso de mulheres na menopausa, pode ser feita a Terapia de Reposição Hormonal.

Como prevenir a Osteoporose?

A massa óssea do ser humano é formada durante seu crescimento, ou seja, durante a adolescência. Nesta época é necessário ter uma ingesta de Cálcio adequada para evitar uma perda de massa óssea no futuro.
Na vida adulta, podemos prevenir a osteoporose com:
-Dieta rica em Cálcio (leite e seus derivados, verduras escuras – espinafre, brócolis, couve- e peixes)
-Prática de atividade física (deve ser orientada por um médico Fisiatra).
-Correção Postural (prescrita por um médico Fisiatra).
-Tomar sol (antes das 10hs da manhã ou após as 16hs para evitar lesões na pele).
-Eliminar o fumo.
-Evitar bebidas alcoólicas e café em excesso.
-Evitar medicamentos que favoreçam quedas (indutores de sono e sedativos).
-Usar medicamentos somente com a prescrição médica.
-Exame de Densitometria Óssea anual para avaliação da doença.
- Cuidados domésticos para se evitar quedas (retirar tapetes, disposição adequada dos móveis etc.).

Leite é rico em Cálcio

Somente o acompanhamento médico periódico permite avaliar o estágio da doença e as medidas preventivas e terapêuticas adequadas a cada caso.

Você tem Lombalgia Crônica?

A Lombalgia é a dor na região lombar da coluna vertebral.
Cerca de 90% da população vai apresentar pelo menos um episódio de dor lombar em sua vida. É um sintoma e não uma doença.
Nos países desenvolvidos é a principal causa de incapacidade em menores de 45 anos.
Acomete igualmente homens e mulheres. Com o passar dos tempos as mulheres começaram a sentir mais dor lombar devido à menopausa (parada do ciclo menstrual) e suas conseqüências como a Osteoporose (perda de cálcio no osso associado com alteração na arquitetura do osso).
É a segunda causa de procura de atendimentos médicos em decorrência de doenças crônicas. Seus números de faltas ao trabalho ultrapassam o câncer, o AVC (Acidente Vascular Cerebral) e a AIDS (Síndrome da Imunodeficiência Adquirida) na idade produtiva. Trata-se de um problema Médico e Econômico por seus elevados custos sociais: assistência médica, faltas no trabalho, diminuição da produtividade e do número de tarefas cotidianas, substituição de suas atividades por terceiros e afastamento do trabalho (temporário ou definitivo).

Dor em região lombar da coluna vertebral

A notícia boa é que a lombalgia é auto limitada, ou seja, o sintoma passa em 90% da população até a sétima semana após o aparecimento. Metade destes pacientes vai apresentar novo sintoma após um ano. Sabe-se atualmente que até 45% cronificam a dor.
APENAS 3% DOS CASOS DE LOMBALGIA NECESSITAM DE CIRURGIA.

Quem tem mais probabilidade de ter Lombalgia Crônica?
Os principais fatores de risco são:
1. Deformidades Posturais- na coluna (escoliose, cifose, hiperlordose) e em outros locais como nas pernas, ou tronco e cinturas deproporcionais
2. Sedentarismo
3. Obesidade
4. Doenças neuromusculares
5. Cirurgia lombar anterior
6. Doenças psiquiátricas
7. Problemas econômicos sociais.

Quais são as causas da Lombalgia?
Em 85% dos casos são devido a Síndrome Dolorosa Miofascial. Veja o post da Síndrome Dolorosa Miofascial.
Os outros 15% correspondem a doenças orgânicas específicas, doença inflamatória na coluna (doenças reumáticas como a artrose, lúpus e artrite reumatóide), câncer, hérnia discal (Veja o Post A Hérnia Discal), estenose do canal raquidiano (diminuição do canal por onde passa a medula espinhal- veja sobre a anatomia da coluna vertebral no post A Hérnia Discal), instabilidade das vértebras (devido a algum trauma) e infecções.
Estenose do canal lombar

Eu tenho Lombalgia o que devo fazer?
Procure um médico especialista em dor para fazer uma avaliação clínica e solicitar exames que sejam necessários para um diagnóstico correto. Na maioria das vezes são feitos Raio X (para avaliação de deformidades, sinais de osteoartrose, escorregamentos de vértebra, fraturas e câncer.Ressonância Magnética no caso de suspeita de hérnia e lesão medular.Tomografia Computadorizada é indicada na suspeita de estenose de canal raquidiano, fraturas e tumores ósseos.
Após o seu diagnóstico, você deverá fazer um tratamento multiprofissional de Reabilitação liderado por um médico Fisiatra com interação no tratamento medicamentoso, de reabilitação e alguns procedimentos (acupuntura e infiltração com anestésico) quando necessários. O Fisiatra que prescreve as medicações e determina as terapias que devem ser realizadas como cinesioterapia (fisioterapia com exercícios específicos para os músculos envolvidos), uso de meios físicos para analgesia (Gelo, TENS, Forno de Bier, Infravermelho, Ultrassom, Microondas, Ondas curtas), massagens musculares específicas(Holfing, miofascioterapia, etc…), terapia ocupacional (em casos de mais incapacidade), atividade física adequada (orienta o educador físico) e psicoterapia. Quando há indicação de cirurgia, o Fisiatra encaminha o paciente ao cirurgião e faz um tratamento muscular pré e pós operatório, para melhores resultados cirúrgicos.

Síndrome Dolorosa Miofascial ou Dor Muscular

É uma alteração muscular com dor muscular, bandas tensas musculares e pontos gatilhos (PGs).
Ponto gatilho é o local do músculo que desencadeia a dor e quando pressionado gera a dor referida pelo paciente.
Dor miofascial na região lombar
Não se sabe ao certo a causa da SDM, mas sabe-se que a falta de oxigênio, de irrigação sanguínea e o cansaço muscular estão envolvidos. Estas alterações musculares ocorrem devido a uma postura imóvel prolongada, movimentos repetitivos, posturas viciosas e estresse emocional.
A banda muscular tensa é o encurtamento das fibras deste músculo. Parecem “nós” embaixo da pele. Esta tensão muscular aumenta o cansaço do músculo e faz parecer que está fraco.
O ponto gatilho de um músculo pode induzir um ponto gatilho em músculos ao seu redor e também à distância, causando uma dor referida. Por exemplo- O músculo Piriforme, que fica abaixo dos glúteos pode causar uma dor somente no local e também pode irradiar a dor pela perna, a chamada Síndrome do Piriforme.
Síndrome do Piriforme

A SDM pode ser responsável por diversos tipos de dor crônica: lombalgia (dor na região lombar), cervicalgia (dor na região cervical), LER (lesões por esforços repetitivos), dores pélvicas, entre outras. Podemos dizer que a SDM pode estar associada a outras doenças como a artrose, fibromialgia, distrofia simpático reflexa, compressão nervosa por hérnia discal, neuropatias, e doenças em órgãos viscerais.
O diagnóstico é feito através da avaliação clínica de um médico especializado, geralmente um médico fisiatra, que tem um bom conhecimento de anatomia muscular e seus pontos gatilhos. Não há nenhum exame laboratorial ou de imagem que evidenciam a SDM.
Músculos
O tratamento da SDM deve ser feito com a avaliação e correção das causas das alterações nervosas, eliminar os fatores que contribuem para a perpetuação da dor, uso de medicações e tratamento de reabilitação.
O tratamento de reabilitação é baseado no equilíbrio muscular, com fisioterapia (com uso de aparelhos que aliviam a dor, alongamentos, fortalecimentos, massagem e correção postural), psicoterapia e até terapia ocupacional em alguns casos. Esta abordagem da reabilitação deve ser liderada pelo médico fisiatra que tem uma visão global e direciona para uma melhora funcional mais eficaz. Em alguns casos, o fisiatra opta pela infiltração do ponto gatilho com lidocaína (anestésico local), para obter analgesia, agilizar e facilitar a reabilitação.

Infiltração de paravertebrais na cervicalgia