Torcicolo ou Cervicalgia?

A dor na região cervical da coluna é chamada de cervicalgia. Quando acontece de maneira transitória é popularmente conhecida como torcicolo. Cerca de 30% da população mundial apresentará cervicalgia no decorrer da vida. No Brasil, acredita-se que 55% da população terão estes sintomas, sendo que destes, 12% das mulheres e 9% dos homens terão cervicalgia crônica.
O torcicolo é a cervicalgia aguda e na maioria das vezes autolimitada, ou seja, os sintomas desaparecem sozinhos por volta de uma semana. Geralmente causado por uma noite mal dormida. Quando os sintomas persistem, é denominada cervicalgia e deve receber uma maior atenção.

Lula com torcicolo

A cervicalgia se instala de maneira insidiosa, ou seja, os sintomas se intensificam vagarosamente. Estes sintomas são: diminuição da amplitude de movimento(pescoço se movimenta menos), postura antiálgica(o paciente adota uma postura de defesa para diminuir a dor), dor que piora com movimentos e com palpação muscular e a rigidez muscular.

Postura de anteriorização e retificação na Cervicalgia

As causas mais comuns de cervicalgia:
Síndrome Dolorosa Miofascial-é a mais comum, posturas viciosas e o estresse são as causas mais freqüentes. (Ver Post “Síndrome Dolorosa Miofascial”)
Osteoartrose– a alteração degenerativa das articulações causada pelo envelhecimento pode levar à deformidades da coluna cervical provocando dor (Ver post “Artrose é doença de idosos?” e “Tratamento da artrose”)
Traumáticas– a mais comum é a Síndrome do Chicote que acontece nos acidentes automobilísticos.
Fraturas
Inflamatórias– devido a doenças reumatológicas como artrite reumatóide, Lupus, espondilite anquilosante,etc…
Infecciosas-meningite, caxumba,abscessos, etc…
Disfunção da articulação temporo-mandibular (ATM)
Metabólicas– osteoporose com fratura (ver Post “Osteoporose dói?”)
Tumores locais ou metastáticos
Congênito- devido a alterações musculares congênitas.
Estenose do Canal Vertebral– diminuição do canal vertebral, no qual se encontra a medula, devido a processo degerativo.
Hérnia discal– desencadeará dor em região cervical com irradiação para os braços, associado a formigamentos, perda de força e sensibilidade (Ver post “A Hérnia Discal” e “Causas e Consequências da Hérnia Discal”).
Radiculopatia cervical devido à hérnia

Como é feito o diagnóstico?
O diagnóstico é feito através de uma boa avaliação clínica do paciente associada a exames que podem auxiliar tanto no diagnóstico como no tratamento da Cervicalgia.
Os exames mais utilizados, conforme a necessidade de cada caso, são: RX de Coluna cervical e panorâmico, Tomografia computadorizada, ressonância magnética, eletroneuromiografia e até termografia.

Termografia com dor cervical e lateral da cabeça por disfunção de ATM

Qual o tratamento mais indicado?
Nos casos dos torcicolos que persistem por até uma semana, indica-se o uso de antiinflamatórios e relaxantes musculares, calor local (pode ser com uma bolsa de água quente) e retirada dos fatores desencadeantes da dor.Exercícios de alongamento regulares são benéficos para a prevenção da recorrência do torcicolo.
Nos casos de cervicalgia crônica, são utilizadas medicações para dor crônica, associada a um programa de reabilitação que visa melhora dos sintomas e prevenção da recorrência dos sintomas.
Raros são os casos cirúrgicos.

Você tem dor no pescoço e já fez tratamento sem resultados? Procure um Médico Fisiatra para uma avaliação, diagnóstico e indicação do melhor tratamento medicamentoso e de reabilitação para o seu caso!

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A Síndrome do Túnel do Carpo

Um pouco de anatomia para compreendermos o que é esta Síndrome:
O túnel do Carpo, como o próprio nome diz, é um canal de 3 cm de espessura composto pelo nervo mediano e 9 tendões responsáveis pela flexão dos dedos da mão na região do punho. Este nervo origina-se no antebraço, passa por este canal e vai inervar o polegar, o indicador, o dedo médio e face interna do quarto dedo.

 O túnel do carpo

A Síndrome do Túnel do Carpo ocorre pela compressão do nervo mediano causadas pelo aumento do tecido sinovial (tipo de cartilagem) que envolvem os tendões diminuindo o “espaço” dentro do canal. Este tecido sinovial tem a função de nutrir os tendões e eles podem “inchar” quando ficam inflamados, ou seja, quando sofrem microtraumatismos (por esforços repetitivos), ou por lesões tumorais, alterações hormonais ou até por uso de alguns medicamentos.
É comum estar associada a outras doenças como o Diabetes Mellitus, artrite reumatóide, Síndrome Dolorosa Miofascial( Ver Post “Síndrome Dolorosa Miofascial”) e doenças da tireróide. É mais comum em mulheres na faixa de 35-60 anos..

Compressão no Túnel do Carpo

O sintoma principal é a dormência nesta região (o termo médico é parestesia). É uma sensação de formigamento que acontece mais frequentemente a noite por causa da retenção de líquido comum nesse período. Com o tempo, os sintomas vão aumentando e o paciente pode referir diminuição da sensibilidade tátil (não consegue definir estruturas pequenas que segura), aparecimento de dor e até alterações motoras em casos graves (perda da força, não consegue segurar pequenos objetos). Em 2/3 dos casos ocorre bilateralmente, ou seja, nas duas mãos.
Algumas atividades que realizam flexo-extensão aumentam os riscos de levar a uma Síndrome do Túnel do Carpo: bancários, digitadores, metalúrgicos, músicos, que utilizam calculadoras, ordenhadores de leite, etc…

Tocar piano produz movimentos de flexo-extensão

O diagnóstico da síndrome do túnel do carpo é feito através da avaliação clínica e comprovado através de um exame chamado eletroneuromiografia. Neste exame, os nervos do antebraço, punho e dedos são estimulados por choques de pequena intensidade sendo o resultado medido na tela do aparelho e assim, comprovada a compressão do nervo mediano.

Eletroneuromiografia

O tratamento da Síndrome do Túnel do Carpo depende da fase em que se encontra a compressão nervosa. Nos casos leves, o tratamento medicamentoso e de reabilitação com imobilização, fisioterapia e afastamento dos fatores causais podem ser eficazes. Este tratamento deve ser orientado por um médico Fisiatra para melhor resultado. Em determinados casos, a cirurgia para descompressão de nervo está indicada.

Alongamentos para punhos

Se você tem sintomas da Síndrome do Túnel do Carpo, consulte um médico Fisiatra para ter um diagnóstico e tratamento correto.

Mito da “Dor do Ciático” ou Síndrome do Piriforme?

É muito comum ouvirmos queixas de dor na região lombar ou glúteos irradiadas para a perna como “dor do ciático”. Na maioria das vezes isto é apenas a forma como as pessoas conseguem descrever a localização da sua dor devido ao fato de conhecerem o mito da “Dor do Ciático”.
Para entendermos o que está causando a dor nesta região, precisamos conhecer que é realmente esta “Dor do Ciático”.
O nervo Ciático é o mais longo do corpo humano, ele se estende desde a região lombar (entre a L4 e L5) até o dedão do pé e durante este trajeto atravessa alguns músculos, inclusive um músculo profundo na região glútea, o músculo PIRIFORME (este músculo realiza a rotação lateral da coxa).

Trajeto do  Nervo Ciático

A “Dor do Ciático” é aquela causada por uma compressão de sua raiz nervosa, localizada na região lombar (L4 e L5), na maioria das vezes causada por uma hérnia discal (Não por um abaulamento ou protusão!!!).
Veja a diferença entre hérnia, protusão e abaulamento no Post “Hérnia Discal” e aprenda sobre seus sintomas e tratamento em “Causas e Conseqüências da Hérnia Discal”.
A compressão do nervo ciático pode ser evidenciada pela Eletroneuromigrafia que mostrará uma radiculopatia na região de L4 e L5. Neste caso, podemos chamar de “Dor do Ciático” ou “Ciatalgia”.

Compressão do Nervo Ciático

A SÍNDROME DO PIRIFORME é causada por trauma no local (cair sentado, por exemplo), hiperlordose (nas grávidas principalmente, ver Post “Deformidades na Coluna causam dor?”), em atletas (maratonistas, ciclistas e praticantes de spinning) e hábitos posturais não saudáveis (como ficar muito tempo sentado e dormir em posição fetal). Acontece devido a uma contratura deste músculo (ver Post “Síndrome Dolorosa Miofascial”) que comprime o nervo ciático em seu trajeto na região glútea.

Dormir na posição fetal pode desencadear a Síndrome do Piriforme!!

Os sintomas da Síndrome do Piriforme são dor em região lombar, e/ou sacral, com irradiação para a região póstero-lateral da coxa, podendo se estender até o pé. Esta dor piora com a posição sentada por período prolongado (principalmente quando o paciente cruza as pernas), ou ficar em pé por período prolongado ou ainda, durante uma corrida. Eventualmente os pacientes podem sentir formigamento ou dormência na localização da irradiação da dor. A reprodução da dor pode ser conseguida através de manobras específicas que mimetizam a função deste músculo e através da palpação deste músculo realizada por um especialista.

O nervo ciático passa pelas fibras musculares do músculo piriforme!

A Síndrome do Piriforme deve ser avaliada por um médico Fisiatra, pois pode ser confundida com outras patologias como a hérnia de disco, tumor em coluna ou pélvico, artrose de quadril e até mesmo fratura de colo de fêmur (Veja no Post “Síndrome Dolorosa Miofascial” seus sintomas, causas e tratamento).
O tratamento da Síndrome do Piriforme é feito com o diagnóstico correto dos músculos acometidos (eventualmente outros músculos podem apresentar Síndrome Dolorosa Miofascial concomitante), prescrição do tratamento medicamentoso (que depende do tempo de duração da dor, se ela é aguda ou crônica) e do tratamento de reabilitação que será realizado inicialmente com fisioterapia (através de analgesia com meios físicos, cinesioterapia e miofascioterapia), orientações ergonômicas, reeducação postural e posteriormente com exercícios físicos prescritos pelo médico Fisiatra. Em casos mais rebeldes, pode ser necessária a infiltração com lidocaína (anestésico local) no músculo para melhora do sintoma doloroso e facilitar o tratamento de reabilitação.

Alongamento  do músculo Piriforme e glúteos

Se você apresenta sintomas semelhantes aos acima descritos, procure um médico Fisiatra que pode diagnosticar precisamente os músculos envolvidos na dor, descartar outras patologias e orientar o tratamento de reabilitação e de prevenção de recorrência das dores.