Psicoterapia

Como deve ser o tratamento da Dor Crônica?

Modelo Biopsicossocial

A dor crônica tem várias características próprias e é determinada pela interação entre fatores físicos, psicológicos e sociais. O impacto destes fatores é importante e influencia no prognóstico de melhora. Por este motivo, a abordagem da dor crônica deve ser baseada em um modelo biopsicossocial que reconhece a interação desses fatores, auxilia sua compreensão, seu diagnóstico e direciona o tratamento.

As pesquisas mostram que os fatores biológicos e os psicológicos mudam o curso da dor (tanto para a melhora quanto para a piora) e que conforme a dor se torna crônica, os problemas psicossociais afetam cada vez mais a vida do paciente. Este modelo de abordagem global mostra que a dor crônica integra componentes físicos, como a própria dor, que pode produzir uma redução da mobilidade e da função; com componentes psicossociais, como alterações do sono e do apetite, ansiedade, depressão, absenteísmo no trabalho (faltas frequentes) e diminuição das atividades sociais.

 

A presença da combinação de fatores biológicos e psicossociais estão associados com uma diminuição significativa da qualidade de vida dos pacientes, porque além de apresentarem incapacidades nas atividades do dia a dia e no trabalho, os pacientes diminuem sua participação na vida social. As pessoas com dor crônica se sentem frequentemente desmoralizadas e sentem dificuldades em sua capacidade de participar das atividades cotidianas e por isso acabam se isolando. A dor torna-se o centro de suas vidas, dominando e desestimulando a interação com outras pessoas e o desfrute de passatempos, esportes e atividades sociais. Em alguns casos, os pacientes passam a ver a vida “do banco de trás”, porque perdem a esperança e o interesse pelo autocuidado.

Depresyon

A dor leva a baixa autoestima e a falta de expectativas se não for devidamente abordada.

Para entendermos o tratamento da dor crônica, precisamos conhecer um pouco mais sobre estes fatores:

Fatores biológicos/físicos

O principal fator biológico e físico é a própria dor. Esta dor pode induzir o paciente a descansar ou evitar a atividade física, que irá alterar sua força física, resistência, mobilidade e o aumento de peso. Conforme a dor persiste, haverá mudanças estruturais e funcionais do Sistema Nervoso Central na dor crônica com o aparecimento de sensibilização periférica e central, ou seja, o aumento da dor e em alguns casos, aumento das áreas de dor com o passar do tempo. Outros fatores biológicos e físicos que influenciam na dor é a idade, outras doenças ou deficiências associadas, sono, etc…

 

Fatores psicológicos

Os fatores psicológicos na dor crônica são depressão, medo do futuro, angústia, frustração e alteração da confiança. Na maioria das vezes, os pacientes apresentam baixa autoestima, ficam inativos e retraídos. As atitudes do paciente frente à dor e suas expectativas sobre sua capacidade de influenciar no curso da dor, têm um papel fundamental. O estado emocional e cognitivo positivo do paciente pode aumentar o limiar da dor, ou seja, ele sente menos dor. Em outras palavras, quando o paciente tem atitudes positivas e mais ativas, ganha maior controle e consegue diminuir a dor. Já alguns sentimentos negativos, como impotência ou inatividade e as avaliações negativas, como: “minha dor é ameaçadora ou incontrolável, a pior do mundo”, aumentam a sensação de dor.

Fatores sociais

Alguns fatores sociais como o isolamento social e a incapacidade funcional e no trabalho afetam as relações interpessoais, o status social e o status econômico do paciente. Por outro lado, os fatores socioculturais determinam como se maneja a dor.

Este slideshow necessita de JavaScript.

TRATAMENTO DA DOR CRÔNICA

O modelo biopsicossocial é complexo e fundamental para o planejamento do tratamento da dor crônica, que deve ser personalizado conforme as necessidades do paciente. Assim, com esta abordagem global dos fatores que influenciam na dor, o tratamento é multiprofissional, ou seja, há necessidade de vários profissionais envolvidos, cada um com objetivos específicos de suas habilidades que integram os objetivos principais coordenados pelo médico fisiatra. A interação entre os profissionais é essencial para se obterem melhores resultados, pois a troca de informações sobre as evoluções do paciente podem modificar ou até acrescentar metas. Os profissionais de saúde envolvidos podem variar conforme as necessidades do paciente e o médico fisiatra é o responsável por determinar os profissionais e o planejamento terapêutico. Os objetivos do tratamento são determinados pelo médico em conjunto com o paciente e os terapeutas visando melhora da funcionalidade e qualidade de vida.

O desafio para o médico e o paciente é trabalhar em conjunto com outros profissionais de saúde para romper o ciclo biopsicossocial de dor e fortalecer os pacientes para que assumam e retomem o controle da dor.

atividade-física

O tratamento da dor visa a melhora das incapacidades ocasionadas pela dor e a melhora da qualidade de vida do paciente através do estímulo de hábitos saudáveis para a prevenção da recorrência da dor ou outras morbidades que a pioram.

Síndrome Dolorosa Miofascial ou Dor Muscular

É uma alteração muscular com dor muscular, bandas tensas musculares e pontos gatilhos (PGs).
Ponto gatilho é o local do músculo que desencadeia a dor e quando pressionado gera a dor referida pelo paciente.
Dor miofascial na região lombar
Não se sabe ao certo a causa da SDM, mas sabe-se que a falta de oxigênio, de irrigação sanguínea e o cansaço muscular estão envolvidos. Estas alterações musculares ocorrem devido a uma postura imóvel prolongada, movimentos repetitivos, posturas viciosas e estresse emocional.
A banda muscular tensa é o encurtamento das fibras deste músculo. Parecem “nós” embaixo da pele. Esta tensão muscular aumenta o cansaço do músculo e faz parecer que está fraco.
O ponto gatilho de um músculo pode induzir um ponto gatilho em músculos ao seu redor e também à distância, causando uma dor referida. Por exemplo- O músculo Piriforme, que fica abaixo dos glúteos pode causar uma dor somente no local e também pode irradiar a dor pela perna, a chamada Síndrome do Piriforme.
Síndrome do Piriforme

A SDM pode ser responsável por diversos tipos de dor crônica: lombalgia (dor na região lombar), cervicalgia (dor na região cervical), LER (lesões por esforços repetitivos), dores pélvicas, entre outras. Podemos dizer que a SDM pode estar associada a outras doenças como a artrose, fibromialgia, distrofia simpático reflexa, compressão nervosa por hérnia discal, neuropatias, e doenças em órgãos viscerais.
O diagnóstico é feito através da avaliação clínica de um médico especializado, geralmente um médico fisiatra, que tem um bom conhecimento de anatomia muscular e seus pontos gatilhos. Não há nenhum exame laboratorial ou de imagem que evidenciam a SDM.
Músculos
O tratamento da SDM deve ser feito com a avaliação e correção das causas das alterações nervosas, eliminar os fatores que contribuem para a perpetuação da dor, uso de medicações e tratamento de reabilitação.
O tratamento de reabilitação é baseado no equilíbrio muscular, com fisioterapia (com uso de aparelhos que aliviam a dor, alongamentos, fortalecimentos, massagem e correção postural), psicoterapia e até terapia ocupacional em alguns casos. Esta abordagem da reabilitação deve ser liderada pelo médico fisiatra que tem uma visão global e direciona para uma melhora funcional mais eficaz. Em alguns casos, o fisiatra opta pela infiltração do ponto gatilho com lidocaína (anestésico local), para obter analgesia, agilizar e facilitar a reabilitação.

Infiltração de paravertebrais na cervicalgia

Tratamento da Artrose

O que leva um paciente com artrose a procurar um médico é a dor articular e a perda da sua função, ou seja, a limitação de seus possíveis movimentos.
Como na maioria dos casos a doença é uma parte do processo de envelhecimento, o melhor tratamento é o Preventivo.
Para determinarmos o melhor tratamento para este doente, é necessária uma avaliação especializada, que analise dois fatores:
 Articular- uma ou mais articulações envolvidas, estruturas ao redor comprometidas, grau de lesão na articulação, instabilidade, inflamação, restrição ao movimento e incapacidade.
 Individual- grau e impacto da dor, aspectos afetivos, nível de incapacidade, nível socioeconômico, qualidade de vida, expectativas e conhecimento da doença.

Articulações mais comprometidas pela artrose.

Os principais objetivos do tratamento da artrose são:
 Educação do paciente,
 Controle da dor,
 Melhora da função,
 Melhora da qualidade de vida,
 Prevenção da progressão da doença.

TRATAMENTO MEDICAMENTOSO
 ORAIS:
1. Analgésicos comuns- Muito utilizados, eles têm a vantagem de serem baratos, eficazes e com o mínimo de efeitos colaterais. É a primeira escolha na dor leve a moderada. Exemplos- Paracetamol e dipirona.
2. Analgésicos potentes- Os derivados do ópio, são necessários quando a queixa é crônica (mais de 6 meses) e muito incapacitantes (quadril). São eles: tramadol, codeína, oxicodona, morfina e metadona. Nestes casos, os efeitos colaterais indesejáveis como a constipação, náuseas, vômitos, tontura, sonolência, confusão mental podem aconetecer principalmente nos idosos.
3. Antidepressivos- São utilizados em doses baixas, na artrose crônica associada com distúrbios de sono e de humor. Os mais utilizados são a amitriptilina, nortriptilina e a imipramina.
4. Antiinflamatório Não-Hormonais (AINHS) – São muito eficazes nos sintomas da artrose. Porém, o uso contínuo e sem supervisão médica, pode levar à complicações sérias como: refluxo, gastrites, úlceras no estômago ou duodeno, alterações no fígado, retenção hídrica, insuficiência renal, hipertensão arterial, alterações nos glóbulos vermelhos do sangue, entre outros. Os mais utilizados são: diclofenaco sódico, naproxeno, ibuprofeno, nimesulida, indometacina, meloxicam, etc…
5. Corticóides- Não são freqüentemente indicados nestes casos devido aos seus efeitos colaterais.
 CONDROPROTEÇÃO
Tem ação lenta no controle da dor, sua ação se inicia após 4- 6 semanas de uso.
Sulfato de Glucosamina- é um aminoácido e faz parte da base proteica da cartilagem.
Sulfato de Condroitina- também é um aminoácido que faz parte da base proteica da cartilagem.
Diacereína-é um lipídio solúvel. Pouco eficaz na dor articular.
Cloroquina- atualmente é muito usada no controle da dor da artrose erosiva das mãos.
Abacate e Soja- Fitoterápico com o extrato do abacate e da soja.
Antibióticos- a doxiciclina é o mais utilizado.

Quais as medicações indicadas?

A medicação mais indicada no seu caso é aquela que foi indicada pelo seu médico.

 USO TÓPICO
Algumas medicações podem diminuir a dor quando aplicados no local, através de spray, cremes, gel ou patches (adesivo que grudam na pele e liberam a medicação). Os mais utilizados são os AINHS.
 INFILTRAÇÃO ARTICULAR
Na dor aguda da artrose, ou seja, quando a articulação está apresentando sinais de inflamação (inchaço, vermelhidão e aumento de temperatura) pode ser necessário fazer um agulhamento com retirada do líquido associada com aplicação de corticóide. Há um grande alívio da dor, o que faz o paciente sempre querer repetir. Quando isto acontece, a repetição do procedimento pode alterar as estruturas ao redor da articulação e piorar a incapacidade e a dor em longo prazo.
Já a infiltração com ácido hialurônico tem demonstrado melhora significativa da dor e tem como alvo a suplementação da cartilagem; os casos leves e moderados são os que apresentam melhores resultados.

infiltração de ácido hialurônico em joelho

 REABILITAÇÃO
Visa o alívio da dor, a contratura muscular, melhorar a amplitude do movimento da articulação e recuperar ou prevenir a atrofia muscular.
O Fisiatra avalia o paciente como um todo e determina qual o tratamento mais adequado para cada doente. Entre as terapias que podem ser utilizadas, temos:
1. Fisioterapia- Utiliza meios físicos para diminuição da dor com calor superficial (forno de Bier, infravermelho, parafina) ou calor profundo (ultrasson, microondas e ondas curtas) ou eletroterapia (TENS e corrente russa) ou crioterapia (uso de gelo). A fisioterapia utiliza exercícios terapêuticos chamados de cinesioterapia, para melhora do encurtamento muscular, fortalecimento e melhora da amplitude de movimentos. Com estes exercícios, pode ser feita a Reeducação Postural Global das posturas viciosas que o paciente tem. A fisioterapia estabelece treinos de equilíbrio de marcha com ou sem meios auxiliares (bengalas, muletas, andadores, etc…).
2. Terapia Ocupacional- Em casos de mãos ou outras artroses mais graves a terapia ocupacional auxilia na recuperação da função perdida.
3. Psicoterapia- Em casos crônicos em que a depressão está associada.

Cinesioterapia

 EDUCAÇÃO DO PACIENTE-
A educação dos pacientes e seus familiares é essencial para a volta do paciente à sua rotina.
Os pacientes com apoio familiar são mais otimistas com o resultado do tratamento.
As deformidades causadas pela artrose crônica limitam o paciente nas atividades diárias, levando a uma baixa auto-estima e mudando de atitude com o ambiente que o rodeia, dificultando assim, o convívio familiar e social.
Para haver uma melhora deste quadro depressivo, o Fisiatra orienta o paciente sobre o que é a doença, quais os principais medicamentos que podem ser utilizados e quais as melhores terapias e exercícios para cada caso específico.
 ACUPUNTURA
Tem efeitos benéficos na analgesia e até na movimentação da articulação.

Acupuntura

 CIRURGIAS
Há vários tipos de cirurgias para o tratamento da dor na artrose, mas a que vai trazer maior benefício para o paciente é a artroplastia total da articulação.
As indicações de cirurgias são para pacientes com as seguintes características:
1. Dor persistente e intensa mesmo com o tratamento medicamentosos e de reabilitação
2. Diminuição do movimento articular.
3. Perda de função e qualidade de vida.
4. Alterações nas articulações ao redor e nas compensatórias.

Artroplastia de Quadril

RECOMENDACÕES GERAIS:
1. Evitar subir e descer escadas.
2. Evitar ficar na mesma posição (em pé ou sentado) durante muito tempo.
3. Usar calçados adequados para absorver o impacto da marcha.
4. Adequar as atividades diárias à capacidade funcional do paciente, incluindo em sua rotina, tarefas que o ajudem a se sentir útil e recuperar a auto-estima.
5. Corrigir defeitos e amenizar vícios posturais.
6. Fazer controles hormonais.
7. Repouso para aquela articulação comprometida de 30 minutos, 4 vezes por dia.
8. No casos de crise aguda, a carga deve ser diminuída naquela articulação para não causar mais dano articular.
9. Evitar o aumento de peso e quando necessário, perder peso.
10. Atividade física orientada pelo seu Fisiatra. Geralmente as mais indicadas são a hidroginástica, natação e ciclismo.

Exercícios físicos promovem qualidade de vida

Consulte o Médico Fisiatra para orientação do tratamento medicamentoso, fisioterápico e da atividade física mais indicada para seu caso e qual o momento certo para cada uma delas!!!

Reabilitação na Dor Oncológica

O tratamento de Reabilitação pode ser feito ambulatorial e domiciliarmente. A principal meta deste tratamento é melhorar a funcionalidade, independência e qualidade de vida do paciente.
O prognóstico do tratamento de reabilitação pode variar principalmente com o tipo de tumor, tempo de diagnóstico (evolução da doença) e o tipo de tratamento do tumor.
O Tratamento Medicamentoso da Dor Oncológica é feito primeiramente com analgésicos não opióides (Aspirina, Paracetamol, Dipirona) e antiinflamatórios. Se houver necessidade, pode ser feita associação com analgésico opióide (tramadol, codeína, oxicodona). A dose depende da intensidade da dor. Nos casos crônicos, devem ser associado antidepressivos, anticonvulsivantes ou psicoestimulantes conforme cada caso. Este tratamento pode ser oral ou endovenoso.
Outra opção de tratamento da dor é o bloqueio de nervos somáticos e simpáticos para analgesia da dor, assim como infiltração com anestésicos em pontos musculares específicos com anestésico.
infiltração muscular de anestésico
Os Centros de Tratamento de Dor oferecem estratégias de manejo cognitivo e comportamental. Algumas delas são o relaxamento, hipnose e biofeedback.
O tratamento da mobilidade do paciente com Dor depende da gravidade da lesão que o paciente apresenta. O repouso no leito deve ser evitado, pois ocorrerá perda da função e instalação de hipercalcemia(aumento de cálcio na sangue) e doença tromboembólica (trombose) como complicações. Na coluna é indicado o uso de coletes. Podem ser utilizados auxiliares de marcha, órteses ou próteses.
A avaliação nutricional do paciente com Câncer deve ser feita por um nutrólogo ou um nutricionista e visa a prevenção de anemia e déficit de vitaminas e sais minerais e o auxílio na dieta do paciente que faz quimioterapia.
dieta variada e rica em vitaminas e sais minerais
O ato sexual pode ser alterado devido a diversos fatores, principalmente devido aos efeitos colaterais do tratamento e da depressão. Deve ser abordado pela equipe de reabilitação com educação, psicoterapia e tratamentos que minimizem os efeitos colaterais.
Os exercícios físicos enfocam o fortalecimento e condicionamento físico. Os mais utilizados são os exercícios isotônicos sem resistência, fortalecimento isométrico, que minimizem o impacto ósseo e aeróbios. Os indicados são: natação, hidroginástica, caminhadas, bicicleta e exercícios de alongamento.
O melhor exercício para você deve ser analisado e discutido com o seu médico. Existem algumas restrições quanto à prescrição de atividade física: anemia, fadiga, riscos de isquemia miocárdica, descolamento de retina, arritmias específicas, etc….
Deve ser feita a prevenção de quedas para diminuir o risco de fratura através de orientações educativas para mudança em ambientes, fortalecimento, treino de equilíbrio e de marcha com ou sem meios auxiliares de locomoção.
treino de marcha com andador
O Câncer de Pulmão entre outros tipos promove um tipo que causa fraqueza, fadiga com descondicionamento muscular e dor em membros. São indicados exercícios para manutenção de amplitude de movimento, isométricos associados com alongamentos e auxiliares de marcha para poupar energia.
Pulmão de Fumante
A metástase cerebral ocorre em 20 % dos pacientes com Câncer e ocasiona dor de cabeça e sintomas neurológicos (hemiparesia- um lado do corpo imóvel, convulsões,dificuldade de falar, enxergar). Neste caso, o tratamento é feito com corticóides e radioterapia.
metastase-cerebral
No Câncer de Mama o tratamento cirúrgico ou a radioterapia podem influenciar na mobilidade e na força do ombro e no linfaedema. A dor deve ser tratada com o uso de contraste e mobilização precoce. Os movimentos ativos só podem ser iniciados após a retirada de todos os drenos. O linfaedema deve ser prevenido: não interferir com o extravasavamento da linfa para não restringir o braço e protegê-lo de infecções, queimaduras; limitar a produção de linfa usando meias compressivas e evitar exposição ao calor(pois induz à vasodilatação)- sol, saunas e vapor. A drenagem manual é muito útil nestes casos e deve ser indicada pelo médico.
Câncer de Mama

CONCLUSÃO
A REABILITAÇÃO PODE AUXILIAR NO ALÍVIO DA DOR, PRESERVAÇÃO OU REESTRUTURAÇÃO DA FUNÇÃO ALTERADA PELO CÂNCER, PLANEJAMENTO E PRIORIZAÇÃO DE ATIVIDADES PARA OFERECER A QUALIDADE DE VIDA E INDEPENDÊNCIA.

CURIOSIDADES SOBRE DOR ONCOLÓGICA
 A metástase óssea mais comum na coluna fica na região torácica, seguido pela lombar e cervical.
 Na metástase óssea do Câncer de Mama mais comum é no fêmur proximal.
 O tratamento com hormônios pode ser eficaz para diminuir a dor oncológica nos tumores de mama e próstata.
 Na leucemia aguda, é contra-indicado fazer atividade física com plaquetas abaixo de 20 000, devido ao risco de hemorragia intracraniana. As plaquetas diminuídas podem induzir a um aumento da pressão arterial com exercícios isométricos e aeróbios com impacto levando à hemorragia. Em geral, só se indica atividade física com plaquetas acima de 50 000.
 Um programa de treinamento aeróbico de 10 semanas, 3 vezes por semana em mulheres em tratamento do Câncer de Mama, encontrou uma melhora na capacidade funcional.
 Na metástase cerebral um fator de melhor prognóstico é a lesão cerebral única e a deambulação precoce.

Tratamento da Fibromialgia

A Fibromialgia tem cura? Não. Por apresentar diversos fatores causais a Fibromialgia cronifica. Não ocasiona morte ou deformidades, mas pode evoluir com incapacidade se não for tratada. O tratamento feito de maneira adequada e com a mudança de hábitos proporciona o controle da dor, melhora do sono, da fadiga e do humor. A manutenção do tratamento com a atividade física regular e controle do estresse são essenciais para a melhora da qualidade de vida.

OBJETIVOS DO TRATAMENTO
Objetivos:
– CONTROLE da dor e da fadiga
– melhora do sono
– controle das anormalidades do humor
– melhora funcional
– prevenção da recorrência dos sintomas
– reintegração psicosocial
– manutenção da qualidade de vida

TRATAMENTO MEDICAMENTOSO
medicamentos
A dor crônica da Fibromialgia deve ser tratada de maneira diferenciada.
Os antidepressivos tricíclicos são eleitos como a melhor opção para este tipo de dor por promover relaxamento muscular, inibir a dor e induzir ao sono. Os mais comumente utilizados são a amitriptilina, nortriptilina, imipramina, entre outros. O relaxante muscular de ação central mais usado na Fibromialgia é a ciclobenzaprina, com efeito semelhante ao da amitriptilina. Os efeitos colaterais mais freqüentes são boca seca, sonolência e a prisão de ventre. Os efeitos na dor iniciam após 30 dias em média.
Os antidepressivos inibidores de recaptação de serotonina, como a fluoxetina e a paroxetina são utilizados quando distúrbios de ansiedade estão presentes. Promovem a diminuição do apetite e a sensação de fadiga. Pode causar boca seca e até insônia.
Há uma nova geração de antidepressivos, inibidores de recaptação de serotonina e noradrenalina com resultados promissores nas pesquisas e no dia-a-dia. A duloxetina apresenta melhora do limiar de dor e do humor. Pode apresentar hipertensão arterial como efeito colateral.
Os neurolépticos fenotiazínicos (clorpromazina) são utilizados em conjunto com os antidepressivos para aumentar a ação destes. Os efeitos colaterias mais comuns são boca amarga, cefaléia e náuseas. Em excesso e por período prolongado, podem causar distonia medicamentosa (contração muscular involuntária crônica).
Eventualmente pode ser utilizado um anticonvulsivante para dor em caráter de fisgada e choque que aparece e some de repente.
Para o tratamento do sono são utilizados os Indutores de Sono, quando não há resultado satisfatório com os antidepressivos. O Zolpidem tem a vantagem de não induzir a dependência e não apresentar sonolência durante o dia.
Os analgésicos comuns como a dipirona e o paracetamol são utilizados comumente para alívio da dor. Possuem poucos efeitos colaterais.
Os antiinflamatórios (diclofenaco de sódio, naproxeno, indometacina, celecoxib,etc…) não apresentam bons resultados com dor crônica, somente em situações específicas, as quais diferem da dor do dia-a dia e geralmente são ocasionadas por trauma, esforço físico e posturas viciosas. Se usados por período prolongado podem causar problemas gástricos, renais e com hipertensão.
Os relaxantes musculares auxiliam no alívio de dores agudas, principalmente relacionadas o estresse. Deve-se tomar cuidado com os relaxantes musculares associados com antiinflamatórios.
Os analgésicos opióides são mais potentes que os comuns. Ocasionam obstipação e sonolência em idosos.Podem causar dependência física, psicológica e insuficiência hepática. Opióides fortes podem ocasionar náuseas, cefaléia e até vômitos.
Os corticóides são utilizados somente em uma crise dor específica. Não são usados rotineiramente devido aos seu efeitos adversos.
Qual a melhor medicação para mim?
As medicações utilizadas para o tratamento de Fibromialgia variam de indivíduo para indivíduo. Isto acontece por diferentes motivos, principalmente pelo fato de diversos fatores: idade, genética, doenças associadas, fatores ambientais, tempo de doença e sintomas apresentados por cada um.
Toda medicação apresenta algum efeito colateral. Isto não é grave, mas pode ser desagradável e por isto limitar o uso de algumas destas drogas. Conseqüentemente, pode haver a demora do acerto da medicação e até mesmo uma resistência ao efeito analgésico após um período.
As medicações não causam dependência física se devidamente prescritas por um médico especialista no assunto.
Caso você tenha alguma dúvida sobre a melhor opção em seu caso, converse com o seu médico e ele te orientará.


TRATAMENTO DE REABILITAÇÃO
Equipe de Reabilitação
Para maior eficácia, este tratamento deve ser multi e interprofissional, ou seja, deve haver critérios, metas e interação entre os profissionais.
Deve ser coordenada por um médico fisiatra conforme a necessidade de cada caso. Há vários profissionais que podem estar envolvidos dependendo da necessidade do paciente. Entre eles: fisioterapeuta, psicólogo, nutricionista, educador físico, terapeuta ocupacional, enfermeiros e até assistente social.

Este tratamento consiste em promover o equilíbrio muscular, corrigir posturas inadequadas, orientar a atividade de vida diária e profissional, condicionamento físico, estabilização do humor, técnicas de relaxamento e outras medidas de controle da dor.
Os exercícios de alongamento são os exercícios que melhoram a flexibilidade e devem ser aprendidos e continuados após a reabilitação juntamente com o condicionamento físico para manutenção do equilíbrio muscular.
O condicionamento físico deve ser realizado com exercícios aeróbicos sem carga e sem impacto. Isto promoverá uma melhora da capacidade cardiovascular e melhor condicionamento muscular, ou seja, mais oxigênio dentro do músculo, menos chance de desenvolver dor.
O fortalecimento muscular é utilizado durante a reabilitação para melhora de postura. A má postura leva a encurtamentos musculares que ocasionam dor. A correção da postura e a melhora da conscientização corporal nestes pacientes diminuem a intensidade e freqüência das dores.
A conscientização corporal pode ser melhorada com técnicas de automassagem que também aliviam as dores.
Com a melhora destes aspectos, há necessidade de orientação quanto à ergonomia, que é a postura correta nas atividades profissionais e do dia-a-dia. O terapeuta pode ensinar ainda, outras técnicas práticas para alívio de dor por termoterapia, como as bolsas de água quente, compressas com gelo, uso de infravermelho e bolas para automassagem, entre outros.
No geral, os exercícios mais indicados para Fibromialgia são: hidroginástica, caminhar e andar de bicicleta.
O humor pode ser abordado com a psicoterapia individual e/ou grupal e com as técnicas de relaxamento. A terapia que apresenta melhores resultados é a Terapia Cognitivo Comportamental. Em casos mais graves, há necessidade de tratamento psiquiátrico concomitante.
A dieta influencia no comportamento do intestino e no peso. Pacientes mais obesos apresentam maior incapacidade e mais dor.
A acupuntura pode ser útil, pacientes com Fibromialgia que não apresentem aversão de agulhas se beneficiam com a acupuntura asssociada à reabilitação. Entretanto, os estudos mostram que a analgesia tem duração limitada.
TRATAMENTO DE MANUTENÇÃO
A Manutenção é a continuidade do tratamento como rotina diária, uma mudança de hábitos.
O paciente deverá continuar com atividade física regular, principalmente os alongamentos e aeróbicos. Atividade física regular, segundo o Colégio Americano de Medicina Esportiva, é aquela praticada 3 vezes por semana por pelo menos 30 minutos.
Utilizar técnicas de relaxamento, outros métodos de controle da dor conforme sentir necessidade.
Não adotar posturas inadequadas e viciosas.
Menor uso de medicações possíveis conforme a orientação médica.
Melhora da qualidade vida.
Maior participação em atividades sociais e de lazer.
Qual o melhor exercício para mim?
O melhor exercício depende de diversos fatores: idade, atividade física prévia, fase do tratamento, peso, gosto do paciente (é isso mesmo, o que ele gosta!), etc….Por este motivo, deve ser prescrito por um médico especialista, de preferência um Médico Fisiatra.

hidroginastica